Tercerização desagrada médicos em Curitiba
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de abril de 2002
Andréa Lombardo Equipe da Folha 
Curitiba - A iniciativa da Prefeitura de Curitiba de terceirizar o atendimento médico nos cinco postos de saúde 24 horas não agradou os profissionais concursados que, hoje, atuam nessas unidades. A informação é do Sindicato dos Médicos do Paraná que, depois de receber várias reclamações, decidiu acionar órgãos competentes, questionando a medida e a legalidade dessas contratações.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná, Mário Antônio Ferrari, disse que vai encaminhar denúncia no início da próxima ao Conselho de Medicina e ao Ministério Público. À primeira vista, estão fugindo dos dispositivos legais, avaliou Ferrari, referindo-se à remoção dos profissionais concursados e à forma de admissão dos novos médicos.
Como as informações são extra-oficiais, a entidade vai encaminhar um pedido de esclarecimento sobre essa medida para o secretário municipal de Saúde, Michele Caputo Neto. Segundo Ferrari, até o momento, o sindicato recebeu apenas um documento não assinado, dando conta do que seria o chamado Sistema Integrado para Regulação do Atendimento de Urgência/Emergência Clínica em Curitiba, que propõe as mudanças nas unidades de saúde 24 horas.
Ferrari não tem números fechados, mas calcula que mais de 100 médicos concursados trabalham nas unidades de saúde 24 horas. Esses profissionais estão sendo relocados para outros postos e essa é a maior queixa. Há casos de médicos que trabalham há oito anos nessas unidades e organizaram sua vida em função da forma como trabalham, observou Ferrari. Segundo ele, a maioria tem uma segunda atividade em consultórios particulares ou outras clínicas para complementar a renda, já que o salário de servidor público é baixo.
Para o médico Mário Nogarolli, que há 10 anos trabalha na unidade do Sítio Cercado, foi uma falha brutal de comunicação aos profissionais que atuam nas unidades 24 horas. Ficamos surpresos e decepcionados, pois num momento importante de mudanças nas políticas de saúde, fomos dispensados, lamentou.
Além de questionar a transferência dos médicos, o sindicato está encaminhando um pauta de reivindicações que foi elaborada com base nos pedidos levantados na última assembléia da categoria no início desta semana. Entre elas, melhores condições de trabalho e melhorias salariais, a participação na elaboração dos protocolos de urgência/emergência e a prorrogação ou contratação efetiva, por meio de concurso, dos cerca de 300 médicos que atuam na rede municipal de saúde como terceirizados.


