Terceirização do lixo gera discussão
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Érika PelegrinoDe Londrina 
A polêmica em torno da terceirização dos serviços de limpeza pública em Londrina extrapolou as discussões técnicas e acabou em briga política em torno do tema. O estopim foi o requerimento apresentado pelo vereador Hélio Cardoso (PSB), ontem durante a sessão da Câmara de Vereadores, pedindo as exonerações do presidente da Companhia Municipal de Transportes e Urbanização (CMTU), Wilson Sella e do secretário municipal de Administração, Rubens Menolli.
O vereador alegou que o processo de licitação do serviço, conduzido por ambos, fica sob suspeição já que eles foram sócios da empresa Resell Assessoria, que realizou um serviço de consultoria para a Vega Sopave, responsável pelo serviço de coleta de lixo na cidade. O clima esquentou no plenário devido à falta de contundência do teor do requerimento.
Hélio Cardoso chegou a chamar o vereador André Vargas (PT), líder do governo na Câmara, de mentiroso, mas assumiu que não tinha como provar que Sella e Menolli estavam na Resell quando esta tinha como cliente a Vega Sopave. Fora do plenário, o vereador Sidney de Souza (PTB) pediu calma a Cardoso dizendo que este estava pegando pesado.
Vargas disse que ia provar que não era mentiroso e providenciou um documento no qual constava que Sella se desligou da Resell em 1997 e Menoli, em 1998. A Vega Sopave viria a ser cliente da empresa de consultoria em 2000. Hoje são sócios da empresa apenas os economistas João Rezende e Devanir Oliveira Gonçalves.
Vargas acusou Cardoso de estar fazendo uma oposição leviana e de estar tentando liderar uma oposição, por enquanto de um homem só. Hélio Cardoso, por sua vez, disse que pretende fazer uma oposição responsável.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) disse que Sella e Menoli continuam trabalhando na administração e são pessoas de sua inteira confiança. Quanto à posição de Hélio Cardoso, Nedson afirmou apenas que o vereador poderia ter se embasado melhor antes de fazer a acusação. Ele não entende que o Legislativo e o Executivo estejam batendo de frente. Caso o requerimento (pedindo as demissões de Sella e Menolli) seja aprovado, daí sim haverá conflito. O requerimento foi protocolado na sessão de ontem mas não foi votado.
Sella não deu entrevista por estar viajando. Menolli disse para a Folha que o documento enviado a Vargas já provava que ele se desligou da Resell em 1998 e que seu único vínculo com a empresa em 2000 foi uma palestra que fez sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.


