Silvana Leão
Os estudos que vêm sendo realizados pela Secretaria de Fazenda de Londrina para terceirizar a cobrança da taxa de coleta de lixo a partir do ano que vem está gerando preocupação entre síndicos e administradores de condomínios. A proposta é desmembrar a taxa de coleta de lixo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e anexá-la ao talão da Sanepar. Os síndicos argumentam que o índice de inadimplência nas contas de condomínio, que já é alto, irá se agravar com a inclusão de mais uma taxa.
‘‘Esta medida só facilitaria para quem está recebendo. Para quem administra os condomínios, seria mais um problema. É muito fácil para a prefeitura transferir as responsabilidades’’, diz Maria Cristina Maia Mendes, administradora do Condomínio Residencial Jardim das Américas, no Jardim Coliseu (zona norte). São 1.424 apartamentos e, segundo ela, o índice de inadimplência do condomínio se situa entre 30 e 40% dos moradores.
Maria Cristina ressaltou também que vários dos grandes condomínios da cidade já questionam junto ao Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis, Edifícios, Condomínios Comerciais e Residenciais (Secovi) os valores cobrados pela Sanepar na conta de água. ‘‘A anexação de mais uma taxa tornaria o problema ainda mais complicado’’.
A vice-síndica do Residencial Santos Dumont (zona leste), Helena Barbosa, também vê com grande preocupação a agregação de mais uma taxa à conta de água. O condomínio enfrenta há meses uma difícil situação por causa da inadimplência, que está crescendo e já chega a 57%. A conta em atraso com a Sanepar está em torno de R$ 53 mil e, mais uma vez, os moradores correm o risco de ter a água cortada. ‘‘Não estamos conseguindo nem honrar o compromisso firmado com a Sanepar e Ministério Público de pagar parceladamente o que devemos’’, afirmou Helena.
Gilberto Canestraro, administrador de condomínios, concorda que a mudança traria mais complicações para os condomínios que convivem com a inadimplência. ‘‘O condomínio teria que assumir uma dívida que não é dele’’, argumenta. Alberto dos Santos, síndico-geral do Residencial Tietê, na Vila Nova (área central), acha que a proposta deve ser analisada com muito cuidado. ‘‘Se for aprovada, vai complicar demais a situação para nós’’, preocupa-se.
O temor da vereadora Elza Correia (sem partido) em relação à proposta da Secretaria de Fazenda são os reflexos junto à população de baixa renda, que em muitos casos chega a vender pequenos bens para pagar a conta de água. ‘‘Acho uma medida muito drástica com a população carente. Eu sei que existem grandes empresários na cidade que não pagam IPTU, o que torna difícil a situação para a prefeitura. Acho, porém, que a saída é acioná-los judicialmente, como é feito com a população de menos recursos’’. Em vez de dar mais uma responsabilidade para a Sanepar, Elza defende sua municipalização.

mockup