A última sessão ordinária do semestre na Câmara de Vereadores de Londrina, ontem à tarde, foi marcada pela polêmica em torno da aprovação, em primeiro turno, do projeto de lei que transfere R$ 323 mil à Secretaria Municipal de Educação para a terceirização da merenda em quatro escolas da rede.
De autoria do Executivo, o documento foi aprovado com votos contrários dos vereadores Sandra Graça (PDT) e Henrique Barros (PMDB) e sob protestos de representantes do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Londrina presentes à sessão. De acordo com a presidente do órgão, Olinda Cassetari, o CAE sequer foi procurado pela secretaria para a realização de um projeto que, avaliou, deveria ter sido retirado de pauta.
''É uma insensatez essa terceirização já que, da forma como está hoje, nossa merenda é considerada pelo FDA (órgão norte-americano que regula a qualidade de alimentos e remédios) uma das melhores do País'', afirmou, frisando que a constatação veio de simpósios dos quais tem participado em Curitiba.
Para Olinda, o dinheiro deveria ser investido de outra forma. ''Já que há esse montante em caixa, deveriam passá-lo à nossa nutricionista para que fosse melhor gasto'', apontou. Como o projeto volta para a segunda e última votação na sessão extraordinária de hoje, a única saída, comentou, será ''tentar convencer os vereadores, um a um, pela retirada de pauta''.
A secretária municipal de Educação, Carmem Baccaro Sposti, reconheceu a falta de diálogo com o CAE, mas somente pelo número de escolas envolvidas. De acordo com ela, esse mesmo projeto que, por enquanto, é piloto já foi discutido e aprovado junto ao Conselho em 2003, só que com um número inicial de 11 escolas. ''Como o licitação na época foi impugnada, reduzimos'', explicou, adiantado que as unidades beneficiadas foram escolhidas por estarem em bairros carentes de Londrina Santa Fé, Marabá (Zona Leste), São Lourenço e União da Vitória (Zona Sul).
Para a secretária, a terceirização deve diminuir a burocracia nas licitações para a compra de alimentos. ''Porque precisa comprar muito, para suprir todas as escolas da rede, e isso demora'', justificou.

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