Terceirização da guarda divide opiniões
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quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
O secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, descartou ontem qualquer possibilidade de que policiais militares que fazem a guarda na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e Casa de Custódia de Londrina (CCL) sejam deslocados para trabalhar nas ruas. A idéia foi dada pelo prefeito Nedson Micheleti (PT), numa reunião realizada na empresa de fiação Bratac anteontem. Ele sugeriu que a guarda nas duas unidades prisionais seja terceirizada, para que os PMs sejam destacados para outros serviços.
Segundo Parzianello, a proposta não pode ser levada a cabo justamente porque a recomendação do governo do Estado é que sejam revertidas as terceirizações nos presídios, devido a experiências consideradas mal sucedidas. ''A proposta é inviável'', apontou o secretário. ''Os policiais têm maior compromisso do que o agente terceirizado, pois ganham melhor e têm maior dedicação. Acho que a questão da segurança realmente preocupa o prefeito, que está buscando idéias. Mas esta (de deslocar os PMs dos presídios) não será colocada em prática''.
Mas a idéia de Nedson foi bem recebida pelos representantes imediatos da segurança pública na cidade. ''Para uma reposição emergencial, acho benéfico que estes policiais sejam deslocados'', afirmou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André.
O comandante do 5º Batalhão da PM (BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, considerou a proposta ''viável''. ''Este ano, o 5º BPM vem sofrendo ainda mais com a defasagem de efetivo, porque muitos PMs estão antecipando a aposentadoria devido à Reforma da Previdência'', relatou. O comandante, entretanto, não soube informar quantos policiais se aposentaram nos últimos meses por este motivo.
Os dois citam que estão em contato frequente com o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, e que o problema da falta de efetivo é uma das preocupações centrais da atual administração. Segundo André, uma comissão está traçando um plano de segurança pública específico para Londrina. O delegado acredita que o aumento do efetivo poderá aumentar a eficiência do serviço que já é prestado pela Polícia Civil e estender sua atuação.
''Já cumprimos a função da Polícia Civil, que é elucidar crimes. Com mais efetivo, poderíamos realizar a distritalização, em que todos os distritos policiais funcionam 24 horas, e criar mais grupos especiais. Por exemplo, de combate a crimes de estelionato e falsificação documental, como já existe em Curitiba'', comentou André.
O delegado disse que a 10 SDP não pode divulgar o número atual de seu efetivo. Segundo Cruz Neto, o 5º Batalhão conta com pouco mais de 800 policiais. Anteontem, na Bratac, Nedson afirmou que este número é praticamente o mesmo desde a década de 80, e que desde então a cidade praticamente dobrou de tamanho. A empresa está localizada entre bairros da zona oeste que abrigam gangues rivais.


