TERCEIRA IDADE TRABALHO QUE DÁ FRUTOS
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domingo, 09 de março de 2003
Renê Muller<br>Reportagem Local 
O médico geriatra João Batista Lima Filho, 45 anos, dedica parte de sua vida a um trabalho voluntário com idosos. O início foi em 1978. ''O Sesc procurou alunos da faculdade que estivessem com vontade de trabalhar com grupos de convívio'', relembra. ''Me identifiquei e gostei''. Um geriatra, diz Lima, precisa conhecer não só a medicina. Deve conhecer de nutrição, assistência social, psicologia, história e antropologia. Em 83, depois dos anos de estudo em Campinas (SP), Lima voltou à Cornélio Procópio, sua cidade natal, percorrendo um caminho que começou a render seus maiores frutos na quarta-feira de Cinzas, com o lançamento nacional da Campanha da Fraternidade 2003.
Intitulada ''Vida, dignidade e esperança - Fraternidade e pessoas idosas'', a campanha pretende atingir, direta e indiretamente, 15 milhões dos mais velhos cidadãos de todo o território brasileiro. O médico assessorou o cônego José Adalberto Vanzella, coordenador-executivo da Campanha da Fraternidade, na composição do texto-base da mobilização. Junto com Vanzella, encontrou-se sexta-feira com padres, religiosos e agentes pastorais para desenvolver a iniciativa na diocese, e participou à noite do lançamento regional da campanha, na Catedral.
Lima coordena a pioneira Pastoral da Terceira Idade do Paraná. Suou para convencer os bispos do conselho pastoral episcopal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quanto à importância do tema. Acompanhar os idosos pode parecer um retrocesso, se forem listadas as antigas campanhas da Fraternidade que debateram dramas como a fome e as drogas. Mas, segundo o geriatra, várias instituições questionaram a CNBB durante anos, pedindo uma campanha dirigida à terceira idade.
Em 1999, começou a debater-se a necessidade da Igreja Católica lançar a campanha. A primeira idéia foi a de estimular um abaixo-assinado. O ponto de partida deu-se em Cornélio Procópio. A diocese local foi a que mais enviou assinaturas: mais de seis mil, das 83 mil colhidas por todo o país. As lista só perde em popularidade para a que pediu a Campanha da Fraternidade que abordou as drogas, que foi encampada por 240 mil assinantes.
Lima concebeu há nove anos um curso especialmente destinado a capacitar cuidadores de idosos. O projeto já formou oito turmas de voluntários, um total de 400 pessoas. As aulas são ministradas por 13 profissionais, também voluntários, de várias áreas: odontólogos, professores de educação física, fisioterapeutas, psicólogos, geriatras, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, arquitetos, e mesmo engenheiros.
No que a engenharia tem a ver com o idoso? O médico explica que ela colabora ao mostrar como se constrói uma casa segura, tanto para o idoso para quem está envelhecendo; como se constrói o banheiro da casa onde vive o idoso, o tipo de piso, onde seria melhor colocar a sua cama; e onde seria melhor instalar um corrimão no lar de uma pessoa com problemas de locomoção.
O curso criou escola. Em Bambuí(MG), um grupo leu a reportagem sobre o projeto, publicada na revista Vida e Sa© úde. Empolgou-se tanto que, a partir da idéia inicial de Lima, e com apoio da Organização Panamericana de Saúde, mapeou o perfil das doenças da cidade mineira. Hoje, o trabalho é referência para a própria organização internacional que o financiou. O curso procopense também inspirou inciativa do governo federal, e a própria CNBB, que sugere a adoção de aulas para voluntários no texto-base da Campanha da Fraternidade.


