Uma revolução de comportamentos, hábitos e desejos está se processando numa faixa da população que a sociedade brasileira por muito tempo teimou em ignorar. Homens e principalmente mulheres de mais de 60 anos parecem cada vez mais dispostos a dizer ‘‘não’’ aos antigos padrões de velhice e estão forçando governos, empresas e a sociedade de modo geral a perceber necessidades e potencialidades da chamada terceira idade.
É uma mudança que ainda atinge uma pequena parcela dos idosos, mas tem crescimento garantido pelas estatísticas que mostram o envelhecimento da população brasileira. O País tem hoje cerca de dez milhões de idosos e a projeção é de que passe a ter 32 milhões daqui a 30 anos.
No Paraná, as pessoas de mais de 60 anos representavam 1,83% da população em 1980. Hoje, já representam 7,46%. ‘‘A explosão populacional da terceira idade tende a ser o grande problema do início do próximo milênio, já que a sociedade está despreparada para conviver com ela’’, diz o geriatra João Batista Lima Filho, que assessora a Pastoral da Criança num projeto para idosos.
Ele admite, porém, que muitos avanços vêm acontecendo, sobretudo a partir de organizações não governamentais que sustentam milhares de centros de convivência e cursos para idosos pelo País afora. São iniciativas como a do Sesc, que tem centenas de idosos participando de grupos onde jogam cartas, cantam, dançam, fazem fisioterapia e ginástica ou simplesmente conversam.
Na PUC do Paraná, mais de cem idosos frequentam um curso de extensão oferecido há quatro anos. Eles têm aulas três vezes por semana e podem escolher entre módulos que vão de História e Filosofia a Teatro e Expressão Corporal, passando por Informática e Línguas Estrangeiras.
‘‘Me sinto como se tivesse 20 anos’’, diz o comerciante aposentado Felipe Bromfman, de 72 anos. Frequentador do curso da PUC há três anos, ela ocupa o tempo que ainda resta livre trabalhando como voluntário no Hospital Infantil Pequeno Príncipe.
Para a professora aposentada Olga Mazeta, de 65 anos, o curso funcionou como um elo com a vida. ‘‘Há três anos perdi meu marido e achei que ia morrer também. Aqui, recuperei a vontade de viver’’, conta. A psicóloga Miriam Carnasciali dos Santos, que dá aulas no curso, diz que o segredo é a valorização do idoso: ‘‘Procuramos modificar o conceito que a sociedade tem e a maioria dos idosos aceita, de que a partir de certa idade a única coisa a fazer é esperar a morte’’.
A mudança no comportamento do idoso já foi percebida também pelas agências de viagem que vêem nesse segmento um fabuloso mercado potencial. ‘‘Nosso primeiro grupo exclusivo de idosos viaja em março, mas desde já eles representam 40% da clientela’’, diz o diretor da Longetur Operador, Carlos Lange. Nas agências que intermediam relacionamentos, a terceira idade também vem ocupando espaço. ‘‘É crescente o número de idosos que procuram não um casamento, mas uma companhia para dançar e viajar’’, conta Evandro de Carvalho

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