Terceira idade faz festa no Calçadão
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sexta-feira, 01 de outubro de 2004
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Oitenta anos e oito meses. Só quem aprendeu a contar o tempo assim - em dias, meses e anos - é que sabe o quanto ele é precioso. Tanto que em cada ruga, marca dessa transição silenciosa, está gravada uma história. Como a de Maria Rosin Marcolino, dona de uma disposição de jovem que impressionou os que passaram pelo Calçadão ontem à tarde, durante o ato público que encerrou a Semana Nacional do Idoso, no dia reservado internacionalmente aos que chegaram à fase que muitos consideram a melhor idade.
Melhor, mas nem sempre valorizada e por essa razão, a data foi marcada com um trabalho de conscientização sobre os direitos dos vovôs e vovós, realizado pela Secretaria Municipal do Idoso e o Conselho Municipal do Idoso.
O país que, de 1980 a 1999 tinha uma população de 6,7% idosos, envelheceu a partir do último censo, que registrou 8,6% - de acordo com dados da Secretaria Municipal do Idoso.
Pessoas como dona Maria, mãe de nove filhos, avó de quatro netos e 16 bisnetos, para quem a idade avançada é mais um motivo para valorizar cada minuto. ''Para mim não foi sacrifício a vida. Fui uma pessoa que aceitava tudo. Tanto os momentos difíceis, como os alegres'', contou a idosa, participante do Projeto Harmonia, desenvolvido pela Secretaria Municipal do Idoso, e que integrou o elenco de uma apresentação de dança folclórica patrocinada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Ao contrário de dona Maria, outros idosos ainda querem ser inseridos na sociedade. Situação semelhante a de Maria de Lourdes Giavarina, 70 anos.''Sinto que está faltando afeto e compreensão dos mais jovens. Queria ter um emprego. Só porque tenho idade não posso trabalhar? Tenho vitalidade e não dão valor ao meu conhecimento'', afirmou a professora aposentada, que tem duas faculdades e um curso de mestrado.
Para tentar melhorar as condições de vida dessas pessoas, foi entregue material impresso sobre as ações do Conselho e os direitos que constam do Estatuto do Idoso. De acordo com o secretário executivo do Conselho, Milton Ciriaco, as denúncias são constantes: ''Recebemos reclamações diárias como a mudança no tempo dos sinaleiros e calçadas irregulares, entre outras''.


