Terceira idade ainda ignora seus direitos
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segunda-feira, 07 de junho de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Apesar de existirem há décadas e serem reforçados e atualizados com o Estatuto do Idoso, em vigor desde janeiro, ainda é ínfima a parcela de pessoas acima dos 60 anos, no Paraná, que conhece seus direitos. Esta foi a conclusão apresentada ontem na 1 Conferência Regional dos Direitos do Idoso, realizada em Londrina com representantes do poder público e de organizações não-governamentais (ONGs) de 55 municípios da região.
O encontro serviu como prévia para o II Conselho Estadual dos Direitos do Idoso (Cedi-PR), que acontece em Curitiba de 7 a 9 de julho com o objetivo de cobrar do governo do Estado a implementação de políticas voltadas para esse público. Durante a conferência também definidos os delegados regionais que representarão as propostas de cada município.
Segundo a chefe do escritório regional da secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social em Londrina, Suely Beggiato, eventos como o de Londrina (em parceria com o escritório de Ivaiporã) e Curitiba devem suprir pelo menos parte do déficit de informação sobre os direitos, uma vez que, na opinião dela, a tarefa não tem sido bem cumprida pelas ONGs. ''É lamentável precisar dessas conferências para se lembrar que os idosos também são cidadãos'', apontou, frisando que muitas vezes a criação de lares de repouso específicos não bastam para o cumprimento da lei. ''Esquecê-los lá não adianta, temos que ter políticas ativas nesse sentido''.
Opinião semelhante foi compartilhada pela secretária municipal do Idoso, Giselda Stabile. Segundo ela, a secretaria atende hoje quatro denúncias de maus tratos por dia. ''Algo mais precisa ser feito, pois 70% dessas denúncias são confirmadas'', disse.
Presidente de uma ONG em Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana), a aposentada Ana Benta Santana, 62, afirmou que a desinformação do público atendido naquele município não é culpa da organização, mas do Estado. ''Isso é tarefa mais do Governo do que nossa'', rebateu. Já o presidente de uma associação que representa 600 idosos no Jardim União da Vitória (Zona Sul), José Brasílio, 62, acredita que o cumprimento do Estatuto não vai acontecer tão cedo. ''Sou deficiente físico e estou esperando há quase dois anos por uma bota ortopédica, sem resultado. E isso é direito meu, não é?''


