Terceira cidade deu um modelo ao País
Na longa vigília aguardando o momento da ''desclassificação'' de Londrina, o paraibano José Durval Fernandes era um dos mais inquietos; preocupava-o também o avanço de Caxias do Sul (RS), aparente rival além de Joinville. Culto, bem-informado, José Durval emocionava-se nas conversas. Afinal, fora ele o agente do IBGE que apresentara, em 1972, os números definitivos do censo de 1970 ao então prefeito, o médico Dalton Paranaguá.
Revelou-se que Londrina era o terceiro município - ou cidade - do sul do País. Só em 15 Estados e no Distrito Federal existiam municípios com populações superiores à de Londrina, que evoluíra no ranking nacional, em uma década, do 35º lugar ao 28º. Sua população saltara de 134,8 mil habitantes para 228,1 mil, crescendo 5,40% anualmente.
A terceira cidade tinha um outro mérito: seu projeto habitacional e de saneamento básico era modelo para o País, adotado pelo Banco Nacional de Habitação (BNH), que levava o prefeito e o presidente da Cohab, Nelson Gavetti, a outros estados, para conferências. Um dos pilares era o eficientíssimo Serviço Autárquico de Saneamento (SAS), altamente rentável, a ponto de ser uma das garantias dos financiamentos do BNH. Nenhuma habitação popular seria entregue sem esgoto.
José Richa sucedeu a Dalton e manteve os dirigentes da Cohab e do SAS. Mas em 1973, com o advento do Plano Nacional de Saneamento (Planasa), o governo federal anunciou que cortaria os financiamentos diretos às Prefeituras. Em 22 de novembro daquele ano, Londrina figurou entre os 3.357 municípios que entregaram os serviços de água e esgoto a empresas estaduais pelo prazo de 25 a 30 anos, conforme a lei municipal n.º 2.337, sancionada por Richa, decisão até hoje cercada de controvérsia.
Desde então, os londrinenses subsidiam água e esgoto em outras cidades, considerando-se que Londrina permanece altamente rentável para a Sanepar.(WS)





