Terapia de Vidas Passadas (TVP) é um método relativamente novo no Ocidente. Utilizada por psicólogos, psiquiatras, médicos psicoterapeutas e profissionais de áreas diversas, a terapia, apesar de polêmica, tem sido tratada e sistematizada de acordo com normas rígidas exigidas pela metodologia científica. Não é necessário, por exemplo, acreditar em reencarnação para se beneficiar da técnica.
Alguns estudos têm demonstrado que as lembranças de vidas anteriores podem ser resgatadas de diferentes maneiras, muitas vezes naturalmente. Como já aconteceu com indivíduos sob efeito de drogas ou de estímulos elétricos no cérebro, em estados mentais alterados, em coma ou ainda naqueles que passaram por experiências de quase-morte. As técnicas desenvolvidas por profissionais são as mais variadas possíveis.
A regressão através de hipnose é apenas uma delas. Não se trata da hipnose de ‘‘circo’’ veiculada por muitos meios de comunicação. Mas da chamada auto-hipnose, em que o paciente fica consciente o tempo todo. O acesso a vidas passadas pode ser feito também através de sonhos, meditação, visualização, auto-análise e até através do uso de palavras-chaves (peças de vestuário, lugares, acontecimentos, entre outros).
Para muitos profissionais que utilizam a TVP, seja na cura de doenças ou como instrumento de autoconhecimento, as supostas vidas anteriores podem ser encaradas apenas como arquétipos (símbolos utilizados pelo inconsciente humano). ‘‘Acessando esses arquétipos e decifrando esses símbolos, as pessoas têm como perceber seus potenciais e entender seus desafios. Assim como compreender, na vida diária, qual a dificuldade de lançar mão dessas potencialidades’’, diz a terapeuta holística Sônia Maria de Oliveira Cruz, formada no Instituto da Luz, com a terapeuta americana Cris Griscom, a mesma que fez TVP na atriz Shirley Maclaine.
No entanto, muitos profissionais, entre eles o médico psiquiatra americano Brian Weiss, frisam que a TVP não é essencial ou necessária para todos. Em seu livro ‘‘A Cura Através Da Terapia de Vidas Passadas’’, o médico lembra que ‘‘nem todo mundo carrega (de outras vidas) bloqueios ou cicatrizes que sejam significativos na existência presente’’.
Sônia Maria acredita que nunca teve problemas em suas terapias porque utiliza a radiestesia para avaliar os candidatos a TVP. O pêndulo indica se o indivíduo está em condições ou não de fazer a regressão. Além disso, durante 40 dias, ela prepara a pessoa para vivenciar o processo, que acontece sempre num lugar afastado da cidade, de preferência num hotel-fazenda.
‘‘O objetivo é que durante a terapia, a pessoa fique isolada da sua rotina para que possa realizar um encontro profundo consigo mesma. São cinco dias de terapia propriamente dita. Depois disso, marco sempre dois ou três encontros para avaliar o indivíduo e ajudá-lo a trabalhar o que foi acessado’’, explica.
Com um cunho mais espiritualista, para ela a TVP é um método que permite ao indivíduo descobrir através da lembrança das experiências de sua alma quais as heranças que está trazendo para essa vida: virtudes, qualidades, vícios e defeitos, originados do bom ou mau uso do livre-arbítrio. ‘‘Quando a pessoa entra em contato com a história de sua alma, ela percebe todas as qualidades e potencialidades que devem ser colocadas a serviço dela e da própria humanidade, assim como os desafios e os obstáculos que tem que enfrentar no momento’’. Os livros consultados, ‘‘O tempo é uma ilusão’’, de Chris Criscon, e ‘‘A Cura Através da Terapia de Vidas Passadas’’, de Brian L. Weiss, foram fornecidos pela Livraria Bom Livro.

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