Com o objetivo de combater comportamentos violentos, equipes do programa municipal Viva Vida deram início ontem na unidade do Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste) ao trabalho de Terapia Comunitária junto às famílias dos cerca de 80 crianças e adolescentes atendidos no local.
Implantado pela prefeitura há dois anos, esse tipo de terapia já efetuou mais de 18 mil atendimentos em toda as regiões da cidade, com 53 técnicos distribuídos em 44 grupos. Segundo o coordenador do Viva Vida do Avelino, José Donizete dos Santos, a idéia de levar a terapia às reuniões mensais com familiares deve servir como complementação das oficinas que a unidade oferece ao público de 7 a 14 anos, como artes plásticas, dança e capoeira expressiva.
''Temos percebido que é grande a necessidade de se trabalhar o emocional dessas famílias, em geral desestruturadas pela pobreza'', apontou Santos.
Coordenadora e supervisora do grupo de Terapia Comunitária de Londrina, a psicopedagoga Maria da Graça Martini explicou que a raiz de grande parte dos casos atendidos está nos conflitos dentro de casa daí a escolha do mote para a reunião de ontem. De acordo com ela, são pessoas que, pela simples falta de diálogo, não conseguem demonstrar afeto entre si, sobretudo entre pais e filhos. ''Resgatar pequenas manifestações de carinho não só previne adultos violentos como cura os que já o são'', enfatizou.
Primeira cidade brasileira a adotar essa modalidade de terapia no setor público, Londrina terá sua experiência levada por Maria da Graça ao 2º Congresso Brasileiro de Terapia Comunitária, em Brasília, no próximo dia 28.
Pelos relatos de boa parte dos familiares presentes, tudo indicava que a primeira sessão seria bastante proveitosa. É o caso, por exemplo, da desempregada Gilmara Costa, de 24 anos, que tem duas sobrinhas no Viva Vida. Ela contou que mora em uma casa com 10 pessoas, o que, não raro, sempre gera algum atrito. ''As mães das meninas trabalham, não têm tempo para dialogar, aí acabo me sobrecarregando.''
A necessidade de trabalhar fora e permanecer muito tempo longe dos filhos encontrou coro na diarista Maria Aparecida da Silva Joel, 36. ''Tenho sete filhos e só converso com eles aos domingos. Aí, é complicado dar carinho suficiente.''

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