Terapia com cavalos auxilia crianças carentes
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
Marta Ortega<BR>Reportagem Local 
David é apaixonado por Catarina. A égua mansinha, de idade avançada, é festejada com gestos de carinho antes que o menino de apenas oito anos suba nela para o passeio pela estrada de terra, na Gleba Lindóia (Zona Leste de Londrina). É um passeio rápido, dura cerca de meia hora, tempo suficiente para que o pequeno, que sofre de paralisia cerebral, tenha momentos de puro prazer, percebendo o animal e a natureza ao redor.
A égua é conduzida pelo tratador de cavalos João Medeiros, 70 anos. E David é acompanhado pela fisioterapeuta Meirielle Teodoro, que orienta sobre a postura correta e os exercícios físicos desenvolvidos em cima do animal. O trabalho é feito em conjunto com a fonoaudióloga Sandra Pozzobom e o médico ortopedista Alexandre Barbosa, responsável pelo atendimento de 40 crianças que têm problemas neurológicos e que estão sendo beneficiadas com a equoterapia.
Para David, os resultados apareceram já nos primeiros passeios com Catarina, assim que o menino perdeu o medo e ganhou confiança. ''É uma questão de se acostumar com o cavalo. Os benefícios são enormes para que a criança adquira equilíbrio, segurança e consiga a socialização'', explica a fisioterapeuta.
Mãozinhas para cima, braços abertos em forma de avião, movimentos de levantar e se sentar na sela. O menino passeia até de costas no lombo do animal, treinamento para melhorar o equilíbrio, a postura e os sentidos. São pequenos movimentos que, pelo sorriso de David, são de intensa satisfação.''Essa alegria, esse prazer com o passeio estimula nas crianças a endorfina e a adrenalina, fundamentais no organismo.''
A mãe de David, Regiane Cristina Chiliga conta que nos últimos dois anos, desde que iniciou a equoterapia, o progresso de David foi muito grande. O menino, que começou a caminhar com três anos e caía muito, agora já se movimenta sozinho. ''Ele não caiu mais, o equilíbrio melhorou muito. E ele adora a Catarina, chama por ela e gosta quando vem aqui.''
Portador da Síndrome de Rubstein Tabin (má formação durante a gestação), David faz acompanhamento com fisioterapeuta desde bebê e hoje, além da equoterapia, faz hidroginástica, fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia no solo.
Os resultados com a equoterapia dependem do grau de comprometimento da doença. Amanda, 14 anos, não ouve, não fala e tem uma leve paralisia do lado esquerdo do corpo. Com apenas um mês praticando equoterapia, ela já cavalga sozinha com Catarina, estimulando a égua com pequenos toques com os pés. ''Aos poucos os que têm condições vão cavalgando sozinhos. Alguns terão sempre que ter o acompanhamento da gente, mas os benefícios são enormes'', afirma Meirielli.
Benefícios observados pela avó de Amanda, Genilda Eugênio, que acompanha a neta em todas as sessões. ''Ela espera a chegada da quarta-feira com ansiedade para andar a cavalo. Gosta muito do tratamento e a gente percebe que ela está muito melhor.''
Para a mãe de Edson Júnior, Maria de Lourdes Lopes Garcia, a alegria também é visível. Com um comprometimento bem maior em função da paralisia cerebral, Edson, 11 anos, faz equoterapia há três anos. ''Melhorou a postura, o equilíbrio e agora está aprendendo a se sentar'', afirma a mãe. No caso de Edson, o passeio em Catarina é feito com o apoio dos dois lados do animal. ''Ele não conseguirá passear sozinho, mas isso não tira o prazer e os benefícios do tratamento'', explica a fisioterapeuta.
Os atendimentos são realizados uma ou duas vezes por semana, dependendo do grau de necessidade de cada criança.


