Terapia com cavalo estimula deficiente
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quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Paulo Pegoraro 
O uso do cavalo para terapia com portadores de deficiências mental e múltipla está resultando em sensível melhoria da coordenação motora, fala e controle emocional dos atendidos pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Cascavel. A entidade detém uma das melhores estruturas do interior brasileiro para o programa de equoterapia, contando com picadeiro próprio, três cavalos, equipe multidisciplinar e apoio do Exército.
A Semana Nacional dos Excepcionais (21 a 28 de setembro) servirá para a Apae enfatizar os resultados do programa, iniciado há 3 anos. Na época, professores fizeram curso na Associação Nacional de Equoterapia (Ande), em Brasília, precursora da técnica no País.
O diretor da Escola Especializada Valéria Meneghel, da Apae, José César Sagrilo, relata que a equoterapia já era utilizada na Antiga Grécia, há 2 mil anos, ressurgiu na Itália em 1960, e foi introduzida no Brasil em 89.
Movimentos similaresSagrilo, detentor de pós-graduação em educação física especial na Universidade Estadual de Londrina, explica que a técnica utiliza o cavalo como meio para o desenvolvimento biopsicossocial dos portadores de deficiências. A idéia é que os movimentos do cavalo são similares aos do andar humano, explicou.
O praticante transfere para si os movimentos tridimensionais do animal, e aos poucos começa uma relação de confiança, cordial e alegre com o cavalo.
Com 30 minutos de cavalgada, ocorrem cerca de dois mil deslocamentos, que atuam diretamente sobre o sistema nervoso, responsável pelas noções de equilíbrio e distância. O simples andar do animal faz dele uma máquina terapêutica, comenta José César Sagrilo.
Para a aplicação da terapia, a escola especializada emprega dois cavalos mangalarga e um quarto de milha (cedidos por criadores), mansos e de passo cadenciado, um coordenador, pedagoga, psicóloga, fisioterapeuta e auxiliares.
A terapia envolve hoje 90 alunos atendidos pela Apae, na faixa etária de 2 a 30 anos, e há mais 40 na fila de espera. Todos eles são da primeira turma formada, porque geralmente o processo é contínuo, explica Sagrilo.
Antes de iniciar as sessões, os praticantes são submetidos à avaliação física, médica e psicológica. Segundo a pedagoga Maria Conceição Pissinati Cachone, há contra-indicações absolutas para a prática, entre elas pessoas com hérnia de disco e outras afecções em fase aguda, cardiopatias e Síndrome de Down.
Muitos alunos que iniciaram com acompanhamento de toda a equipe de trabalho para montar, hoje conseguem galopar sozinhos.
D.F., de 5 anos, tinha pouca coordenação dos membros inferiores, não se equilibrava em pé e, às vezes, caía. Além de melhorar em todos estes aspectos, segundo os pais, também apresenta mais ânimo, ajuda em tarefas caseiras e sai mais para passear.
D.K., 6 anos, tinha os mesmos problemas, e agora tem movimentos mais amplos e ágeis, conseguiu soltar a voz e até repete o que outros falam. C.L., 15 anos, melhorou a postura e demonstra mais auto-confiança, relatam os pais.


