Terapia alternativa conquista adeptos
Vânia Moreira
De Umuarama
Difundidas pela pastorais da Igreja Católica como alternativas de tratamento baratas para as pessoas de baixa renda, as terapias naturalistas estão ganhando cada vez mais adeptos nas pequenas cidades do interior do Paraná. No Noroeste do Estado, um número cada vez maior de pessoas está trocando o tratamento médico convencional por terapias alternativas. Em quase todas as cidades já existe um médico naturalista, oferecendo consultas grátis ou muito baratas e remédios naturais, cujos preços não chegam a 10% de qualquer medicamento na farmácia.
Mas a chamada medicina alternativa não está conquistando apenas os pobres. Pessoas mais abastadas também estão trocando médicos e farmácias por tratamentos alternativos, que consideram mais eficientes e menos agressivos. Em Cidade Gaúcha, a 80 quilômetros a nordeste de Umuarama, a professora Eunice Ávilla está atendendo uma média de 10 pessoas por dia em sua casa, transformada numa espécie de hospital naturalista.
Estudiosa de plantas medicinais há mais de 30 anos e com um curso de cinco anos em medicina natural, concluído no ano passado, ela trata doentes de todas as camadas sociais. É difícil encontrar alguém que não tenha ficado satisfeito com os resultados.
A dona-de-casa Valdelice Dantas, 56 anos, vivia doente há quase 20 anos. Estava magra, desnutrida e tinha problemas de estômago e bexiga. Ano passado os médicos recomendaram que fizesse uma biópsia sob suspeita de estar com um câncer no fígado. O exame tinha que ser feito em Londrina e só foi marcado para seis meses depois. Valdelice começou o tratamento natural em abril e garante que está curada. Não sinto mais nada, como e durmo bem e até engordei oito quilos.
A aposentada Amélia Guezi, 70 anos, curou uma gastrite seguindo o tratamento prescrito por Eunice. Agora tenta se livrar de uma catarata. Dotada de uma situação financeira confortável e sem maiores problemas de saúde, a professsora Vera Correa, 58 anos, também optou pelo tratamento natural.
O que mais me atrai é a filosofia de prevenção. Os naturalistas não se preocupam apenas em curar as doenças, mas orientar os pacientes a se prevenir e a adotar um estilo de vida mais saudável, diz. Vera não abandonou a medicina tradicional, mas prefere curar gripes e outros probleminhas com ervas e massagens. O meu médico até recomenda, afirma.
Eunice não cobra consulta, apenas os remédios que ela mesma cultiva e prepara. No caso de doentes muito pobres, acaba doando os remédios. Este ano se aposentou como professora e passou a se dedicar exclusivamente à medicina alternativa. Fez cursos de nutrição, terapia comunitária e outros para aprimorar seus conhecimentos. O sonho dela é ter um hospital naturalista para internar os doentes que precisam de tratamento mais complexo e prolongado e garante que começa a construir o pequeno hospital, de 120 metros quadrados, ainda este ano.
Em Nova Olímpia. a 58 quilômetros a nordeste de Umuarama, o ex-vereador Luiz Carlos Piloto fez um curso de três meses na Pastoral da Saúde e há dois anos atende centenas de pessoas. Piloto atende em casa e cobra R$ 8,00 pela consulta e os remédios. Ele prescreve mais de 90 espécies de plantas medicinais para todos os tipos de doenças. A agenda dele está lotada até outubro. São mais de 100 consultas marcadas e quase 250 pessoas na fila de espera.
Apesar do conhecimento que Eunice tem sobre o assunto, o trabalho desenvolvido por ela em Cidade Gaúcha e por outros médicos naturalistas na região é considerado ilegal. A Sociedade Brasileira de Medicina só permite o exercício da profissão à pessoas que cursaram Faculdade de Medicina e se especializaram em terapias alternativas. Cabe aos serviços municipais de vigilância sanitária fiscalizar a prática da medicina e denunciar possíveis charlatães.
Eunice Ávilla reconhece que muitas pessoas que estão praticando a medicina alternativa na região não tem conhecimento suficiente para isso e podem colocar em risco a vida de muita gente. A professora diz que jamais orienta as pessoas a abandonar o tratamento médico convencional, só prescreve chás e preparados que conhece profundamente e quando percebe que a pessoa pode ter alguma doença grave, aconselha a procurar um médico independente do tratamento natural.Pacientes de pequenas cidades do interior do Estado aderem aos tratamentos propostos pelos chamados médicos naturalistas
Fotos Vânia MoreiraPRATICANTEEunice Ávilla se apresenta como estudiosa da medicina naturalista e atende média de 10 pessoas por diaValdelice Dantas se diz recuperada depois de 20 anos doente





