''Este tratamento é bastante significativo e deveria ser democratizado à população, principalmente por meio de políticas públicas.'' A reivindicação é da professora universitária Ana Maria Pereira, 45 anos, que sofreu uma perda auditiva de 80% no ouvido esquerdo e, depois de dez sessões de oxigenoterapia, recuperou 17% da audição, além do funcionamento dos rins, que estava comprometido pelo uso de corticóides. ''Em apenas uma semana melhorei minha qualidade de vida.''
Recuperado de um câncer na base da língua, o engenheiro civil Manoel Garcia Filho, 55, precisou brigar com o convênio para realizar o tratamento hiperbárico, que acelerou sua recuperação e amenizou os efeitos colaterais da quimio e radioterapia. Conforme ele, depois de 30 sessões na câmara hiperbárica, passou a se alimentar e a falar melhor. ''Hoje já não passo a noite inteira tomando água, é um bem-estar só.''
Diminuir o tempo de internação e, consequentemente, o sofrimento dos pacientes é o propósito da oxigenoterapia, de acordo com o oncologista Wilson Albieri Vieira, especialista em Medicina Hiperbárica. Desde junho deste ano, a Irmandade Santa Casa (Iscal) disponibiliza uma câmara hiperbárica, com capacidade para 12 pacientes. Utilizada no tratamento de feridas crônicas, pés diabéticos, insuficiência renal crônica, queimaduras, isquemias agudas e até envenenamento, o equipamento libera oxigênio em pressão 100% superior à atmosférica.
Segundo Vieira, o tratamento é basicamente a inalação desse oxigênio que, com a pressão aumentada por meio da câmara, é melhor distribuído no organismo. ''Isso resultará no combate a infecções e, principalmente, na agilização de cicatrizações em até nove vezes e diminuição da amputação de membros em até cinco vezes.''
O tratamento hiperbárico existe há mais de 50 anos e no Brasil começou a ser usada na década de 1980, sendo regulamentada em 1995 pelo Conselho Federal de Medicina. É custeada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em vários estados brasileiros, sendo que Curitiba foi a terceira cidade do país a oferecer a oxigenoterapia, mantida em parceria entre Município e Estado. Em Londrina, Vieira mantém contato com a prefeitura para tentar incluir a terapia na lista de procedimentos do SUS.
Conforme o médico, cada sessão na câmara hiperbárica dura duas horas e o procedimento custa, em média, R$ 300. ''Mesmo caro, a longo prazo o tratamento reduz custos para o sistema de saúde'', garante, reforçando que a oxigenoterapia funciona como um tratamento complementar.
Com capacidade para realizar até 1,5 mil sessões por mês, a câmara está sendo sub-utilizada, na opinião do médico. Ele explica que o Estado só oferece recursos para cobrir até 300 sessões mensais. ''Já atendemos 35 pacientes desde a inauguração, pelo menos dez do SUS e o restante de convênios, e às vezes pagamos sessões do bolso porque o doente não pode esperar'', comenta.
A reportagem tentou, por diversas vezes, contato com o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bredrossian, e com a assessoria de imprensa da prefeitura, mas não houve retorno.

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