Terapeuta acusa polícia de perseguição
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sexta-feira, 31 de julho de 1998
Marcos Zanatta 
O terapeuta Francisco Luzia Romano, de Maringá, classifica como perseguição a ação policial que fechou a clínica de terapias naturais que ele dirigia em Cianorte (80 quilômetros de Umuarama). A clínica Golden Vida foi fechada pela polícia Civil e pela Vigilância Sanitária no dia 21 de julho. A polícia acusa os proprietários e funcionários da clínica de charlatanismo. Ele acredita que a denúncia partiu de setores incomodados com o trabalho realizado pela clínica, que atua com tratamentos naturais. Nosso trabalho dá resultado e incomoda, disse Romano.
Na clínica de Cianorte trabalhavam a massoterapeuta Estela Maris Jarreta e o auxiliar Naor Crispim, que são formados em cursos de terapias naturais. Segundo Romano, em nenhum momento, nem na clínica de Cianorte ou na sede da Golden Vida, em Maringá, os profissionais se portam ou fazem se passar por médicos, como foi denunciado. Ele diz que o tipo de tratamento está muito distante da medicina alopata e, nunca, os responsáveis pelo tratamento dos pacientes receitavam medicamentos.
Segundo Crispim, os pacientes são orientados para uma complementação alimentar ou uso de ervas e remédios a base de extratos naturais. Os produtos apreendidos no local, segundo o advogado da empresa, Ari Pereira, são medicamentos produzidos em laboratórios e não elaborados na clínica. Para checar, as autoridades deveriam acionar os laboratórios e não a clínica, disse. O advogado reclama que o local foi invadido pela polícia sem mandado, e que existem falhas no inquérito que a empresa pretende contestar.
Entre as principais, cita Pereira, está a ausência de provas de qualquer delito. Ele disse que o delegado de Cianorte, Nélson Tavares, alega ter agido a pedido de uma promotora, mas não revela o nome. Por que, então, a promotora não pediu a abertura de inquérito e não autorizou a busca na clínica?, perguntou o advogado. Pereira disse que o inquérito é fabricado, e lamentou a ação contra a empresa. Nunca negamos qualquer informação às autoridades, e não existem motivos para a ação maldosa do delegado, afirmou.
Para o advogado, a polícia demonstra desconhecer os procedimentos médicos ou de tratamentos naturais, ao acusar os funcionários da clínica de diagnosticar doenças como diabetes, disco de hérnia e obesidade. Na verdade, esclareceu o advogado, 99% dos pacientes que procuram a Golden Vida já passaram por médicos sem alcançar resultados. A clínica não cometeu nenhum crime, e vamos aguardar a conclusão do inquérito para tomarmos as providências, afirmou.


