Tentativas de fraude aumentaram este ano
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Luiz Claudio OliveiraEquipe da Folha 
Curitiba Os funcionários da Coordenadoria do Seguro-Desemprego no Paraná, em Curitiba, nunca tiveram tantas desconfianças sobre tentativas de fraude contra o sistema quanto estão tendo neste ano. As suspeitas procedem pois, em todo o Estado, existem 206 inquéritos sendo investigados pela Polícia Federal (PF) e há indícios que quadrilhas especializadas estão por trás das fraudes.
A superintendência da PF em Curitiba mantém o assunto sob sigilo e nega-se a responder qualquer pergunta sobre o assunto. No entanto, em Londrina, já foram detectadas, segundo representantes da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), dez fraudes e seis pessoas já estariam presas. No Estado, os 206 casos sob suspeita tiveram os pedidos de seguro-desemprego cancelados.
Toda a investigação começa com a suspeita do funcionário da Agência do Trabalhador, antigo Sistema Nacional de Emprego (Sine), quando recebe o pedido de salário-desemprego. ''Qualquer atendente, quando perceber indícios de fraude, remete o pedido de seguro para o setor de pós-triagem que faz nova análise. Se a desconfiança persistir, envia à coordenadoria que faz um relatório para a DRT. Só lá então é que será dado início à investigação e repassada à PF'', explicou o coordenador do seguro-desemprego no Paraná, Laerson Vidal Matias.
''Desde que existe o seguro, há a tentativa de fraude, mas nunca ocorreu nesse nível. Neste ano está bem maior'', afirmou, sem revelar valores. A coordenadoria no Paraná foi instalada em 1996. Por mês, são feitos em média 26,5 mil pedidos de seguro-desemprego no Paraná. De janeiro a outubro deste ano foram atendidos 263.271 trabalhadores desempregados. De janeiro a setembro, foram injetados na economia do Estado R$ 304 milhões com o seguro-desemprego.
''A coordenadoria não tem poder de investigar ou abrir inquérito e envia relatórios para a Delegacia Regional do Trabalho'', esclareceu o coordenador. Para que a tentativa de fraude aconteça, é preciso que também sejam adulteradas as carteiras de trabalho. A irregularidade pode ser feita pelo próprio interessado, ou por uma quadrilha. ''Não posso dizer que seja uma quadrilha, mas quando o volume é muito grande, certamente é um grupo de pessoas que está por trás'', afirmou Laerson Matias.
De acordo com ele, os casos mais comuns de tentativas de fraudes são quando se repetem muito os mesmos valores do requerimento. Também quando os envolvidos são menores de idade ou jovens sem especialização e com um salário mais alto que o comum nesses casos. Segundo Matias, as pessoas que tentam a fraude, também falsificam a carteira de trabalho com os dados de empresas que existem, mas que nunca empregaram as pessoas que pedem o benefício. Geralmente essas empresas são inocentes e envolvidas sem ter conhecimento.


