Uma tentativa de fuga mal sucedida terminou em rebelião na manhã de ontem na Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), localizada no bairro Cristo Rei, em Curitiba. O plano mobilizou todos os 62 presos que estavam recolhidos no xadrez e só não teve sucesso porque um dos policiais percebeu a movimentação e reagiu com tiros.
A ação aconteceu das 6 às 9 horas da manhã. O tumulto foi iniciado por Ricardo Santos de Oliveira, preso por sequestro e roubo. Oliveira conseguiu abrir a porta da cela em que estava, libertando em seguida todos os outros detentos. O Corpo de Bombeiros foi chamado para controlar um princípio de incêndio que atingiu colchões e roupas dos presos. O tráfego de veículos nas proximidades da delegacia ficou interrompido por cerca de uma hora. A Companhia de Choque da Polícia Militar também foi acionada e diversas unidades estiveram no local para dar apoio aos policiais civis.
A tentativa de fuga deixou um preso levemente ferido e 40% do prédio da delegacia danificado pelo fogo. ‘‘As instalações ficaram bem destruídas. Vamos aguardar a perícia do Instituto de Criminalística para saber quantos homens teremos que transferir. Pelo menos 23 presos devem sair daqui’’, disse o delegado Jorge Azor Pinto.
Segundo o delegado, a superlotação do xadrez da DFR foi a causa da revolta. As instalações que abrigavam 62 presos até ontem, têm capacidade para receber apenas 40, em razão de cinco celas estarem interditadas desde março de 1998 por causa de outra rebelião.
Havia informações de que os detentos tinham consciência de que se danificassem as celas poderiam garantir a transferência para presídios maiores e em condições melhores que as da delegacia. Segundo comentários, o maior desejo deles seria o deslocamento para a Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, unidade em que as fugas acontecem com mais frequência.
O delegado minimiza a ação dos presos e diz que eles não chegaram a oferecer riscos, permanecendo o tempo todo isolados por duas portas de ferro. Já alguns investigadores que estavam no local disseram que os detentos passaram por estas duas portas e só recuaram quando o investigador Nacelson de Souza disparou dois tiros contra o grupo.

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