Foi frustrada a tentativa de reconhecimento, anteontem em Foz do Iguaçu, entre a presidente do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida, Arlete Caramês, mãe de Guilherme, desaparecido há sete anos e meio, e o suposto garoto que poderia ser o filho dela, Roberto de Souza.
Arlete esteve em Foz depois de ser informada através do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente que um garoto, com idade entre 15 e 16 anos, encontrado nas ruas da cidade, teria semelhanças físicas com Guilherme, principalmente duas cicatrizes, uma no nariz e outra no joelho.
Após o encontro, Arlete disse que as cicatrizes de Roberto diferem muito das marcas de Guilherme e que as características físicas dos dois garotos são bastante diferentes. ‘‘Eu já havia constatado através das imagens na televisão que eles eram bem diferentes, mas nunca perco a esperança de encontrar o meu filho. Por isso, quis verificar pessoalmente se não era ele’’, disse.
Ela contou ainda que já percorreu diversos estados brasileiros atrás do paradeiro de Guilherme. ‘‘Mas nunca tive uma pista concreta sobre o meu filho. Mesmo assim, vou continuar lutando para encontrá-lo.’’
Roberto foi encontrado perambulando pelas ruas da cidade no dia 20 de dezembro. Ele foi encaminhado pelo Conselho Tutelar para um abrigo de adolescentes, quando um funcionário levantou a hipótese de que ele poderia ser Guilherme por causa da semelhanças físicas com o garoto desaparecido que tem a foto estampada em cartazes espalhados por todo o País.Christian Rizzi
A única informação que o órgão conseguiu obter de Roberto é que ele chegou em Foz através de uma carona e que morava no Rio de Janeiro. ‘‘Ele não fala mais nada. Não têm documentos e não diz com quem e onde morava, nomes de parentes ou porque veio para Foz do Iguaçu’’, disse a conselheira Fátima Dalmagro.
A conselheira também ressaltou que o garoto tem boa aparência e bons modos de educação e higiene, apesar de não querer falar sobre a sua vida. ‘‘Ele não tem aparência de menino de rua e nem de usuário de drogas. Estamos muito intrigados com ele e não sabemos como localizar a sua família. Estamos diante de um grande impasse’’, comentou. Fátima informou que hoje Roberto será submetido a uma avaliação psicológica.
Somente no Paraná, o número oficial de crianças desaparecidas chega a 17. O garoto Guilherme Caramês Tiburtius, desapareceu no dia 17 julho de 1991, com oito anos de idade, do bairro Jardim Social, em Curitiba. Desde então sua mãe, Arlete, vem liderando campanhas para encontrar o garoto e outras crianças desaparecidas. Nas últimas eleições Arlete se candidatou a uma vaga para deputada estadual pelo PPB.
De acordo com ela, a bandeira principal de seu mandato seria sensibilizar a sociedade sobre os inúmeros casos de crianças desaparecidas em todo o País. ‘‘Se nós pais de crianças desaparecidas não formos a luta a polícia não vai. A polícia só se manifesta quando há pistas’’, afirmou. Ela não conseguiu se eleger, mas teve uma votação de 30.236 votos. Informações sobre crianças desaparecidas podem ser fornecidas aos telefones (041) 224-6822 e 222-0252.

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