A Polícia Civil conseguiu impedir na madrugada de ontem uma fuga do 4º Distrito Policial (DP). Os presos já haviam escavado um buraco de aproximadamente 40 cm por 80 cm na última cela do distrito quando o barulho das escavações chamou atenção do único investigador que fazia a guarda dos presos. A tropa de choque foi chamada por volta das 2h30 e os nove presos foram removidos para as outras celas do distrito, o que acentuou a superlotação. O DP tem capacidade para 24 presos e abriga 70.
A polícia apreendeu com os presos três brocas e uma serra. Os detentos das outras celas também passaram por uma revista rápida mas nada foi encontrado. Segundo o investigador Frank Kotarski, que atendeu a ocorrência junto com o delegado de plantão, Manuel Pelisson, em questão de minutos os presos teriam fugido para o pátio do distrito. A polícia ainda não sabe como as brocas entraram no DP mas acredita que a obra foi tocada anteontem.
Uma pequena reforma foi realizada no distrito para reforço de grades e os presos devem ter aproveitado o barulho da obra para quebrar a parede sem chamar atenção. A polícia civil iria começar a fechar o buraco ainda ontem. O delegado de plantão, Manuel Pelisson não quis dar entrevista à Folha.
A tentativa de fuga chama atenção mais uma vez para o problema crônico da falta de vagas de prisão provisória em Londrina. Hoje a população carcerária que aguarda julgamento é de 769 pessoas (veja quadro) para 436 vagas, um déficit de mais de 200 vagas.
A superlotação recente já vinha sendo denunciada pelo Conselho de Direitos Humanos (CDH) de Londrina. Na semana que vem, membros do CDH devem vistoriar as unidades prisionais da cidade. O coordenador do CDH, Gelson Gil alega que além das condições precárias que os detentos vivem, o problema adquire contornos graves de segurança. ''Isso é um estopim esperando para ser aceso'', comenta.
Ele também argumenta que a falta de recursos humanos é outro fator agravante. ''É grave a situação em que um único investigador cuida do distrito, existe um limite que ele pode cuidar além do risco de ser tomado como refém'', comenta. As vistorias começam na terça-feira.

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