Tentativa de fuga deixa um morto
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terça-feira, 02 de dezembro de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma tentativa de fuga em massa da carceragem da delegacia central de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), deixou um detento morto, em frente à unidade, no Centro, e um ferido na perna, levado para o hospital da cidade, além de colocar dois funcionários da delegacia como reféns durante algumas horas. A chance de escapar das celas superlotadas -há 120 detidos, com capacidade para 35- apareceu quando dois carcereiros levavam o almoço para os presos, às 11h30.
Ao entrarem nas celas, os funcionários da unidade teriam sido dominados sob ameaças de estoques, armas feitas pelos próprios presos com objetos pontiagudos, segundo o delegado-chefe,
Osmar Dechiche.
No tumulto, vários presos tentaram fugir, mas apenas três conseguiram chegar às ruas. O restante permaneceu com os carcereiros como reféns. Enquanto isso, um dos três fugitivos disparou uma arma contra policiais militares que chegavam na delegacia com suspeitos detidos em uma diligência. No revide da PM, o rapaz, identificado como Júlio César de Freitas, 18 anos, morreu e outro foi atingido na perna.
"Como houve esse esforço conjunto isolamos todo local e as negociações começaram", contou o tenente do 17º Batalhão, Marcos Silva. Durante cerca de três horas, policiais de grupos especiais das polícias, como Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial), Cope (Centro de Operações Policiais Especiais) e Coe (Comando de Operações Especiais), negociaram a liberdade dos carcereiros, que logo foram liberados pelos presos. O terceiro foragido logo foi encontrado e recapturado em um terreno baldio. Os policiais revistariam toda carceragem no final da tarde de ontem e iniciariam uma investigação para descobrir de onde surgiu a arma que estaria com o fugitivo.
Dezenas de parentes e amigos de presos foram à delegacia ao saber da fuga. "É difícil a situação lá dentro. É superlotado, não tem ventilação", reclamou um dos familiares, que pediu para não ser identificado.
O delegado afirmou que os presos são bem tratados pela polícia. O tenente Silva confirmou que não houve reivindicações dos presos. A Secretaria da Segurança Pública (Sesp) informou que 20 presos foram transferidos para o sistema penitenciário e os líderes do tumulto seriam autuados por cárcere privado.


