Uma rebelião na Cadeia Pública de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) terminou ontem com a transferência dos 62 presos para Curitiba e 10 cidades da região Norte e Noroeste. O motim começou por volta das 21 horas de sábado, logo após tentativa de fuga frustrada. Segundo o delegado José Carlos Bassalore e o capitão Roland Wandembruck, do 15º Batalhão de Polícia Militar (PM) de Rolândia, nenhum dos presos ficou ferido.
Antes da rebelião começar, os policiais militares da 3ª Companhia Militar de Arapongas haviam encontrado pedaços de serra, barras de ferro e estoques numa revista pelas sete celas da cadeia. Foi com esses instrumentos que 18 presos de duas celas chegaram ao corredor e iniciaram a perfuração do teto com uma broca. Além do barulho, dois telefonemas anôninos alertaram o investigador de plantão e o Batalhão da PM de Rolândia.
O delegado disse que não sabe como o material chegou às celas. ‘‘Pode ter entrado no cabelo de alguma visita, fundo de marmita, vagina de uma mulher ou até num arremesso da rua para o solário’’. Essa foi a primeira tentativa de fuga do ano na cadeia de Arapongas. Na semana passada, quatro detentos ganharam a rua através de um buraco cavado embaixo do vaso sanitário. Apenas um deles foi capturado, Nelson de Oliveira Souza Sobrinho, que liderou a última rebelião. Ele é condenado por roubo em várias cidades da região e acusado de latrocínio.
Com a interrupção da fuga, os 62 homens foram amontoados nas outras cinco celas, o que acirrou ainda mais os ânimos. Revoltados com a superlotação, eles estouraram com os pés uma parede de tijolos de oito furos e, em seguida, arrebentaram todas as grades das celas. O quebra-quebra só foi contido com a chegada de 14 policiais militares de Rolândia e Arapongas mais oito do Grupo de Operações Especiais (GOE), de Londrina.
Conforme Bassalore, o prédio tem capacidade para abrigar 22 pessoas, mas há cerca de um ano ultrapassou a marca dos 60. ‘‘Há muito tempo venho tentando transferir, pelo menos, os 22 condenados que cumprem pena aqui. No entanto, a resposta é de que não há vaga em nenhuma penitenciária ou colônia penal agrícola do Estado’’.
Astorga, Cambé, Colorado, Curitiba, Florestópolis, Jaguapitã, Londrina, Mandaguari, Paranavaí, Nova Esperança e Sabáudia foram as cidades escolhidas para receber os rebelados. Hoje, o delegado deve abrir um inquérito policial e outro administrativo para apurar o fato.

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