Tentativa de assalto à agência bancária acaba em explosão
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de maio de 1997
Paulo Ubiratan 
Na tentativa de arrombar um cofre, o ladrão Carlos Eduardo Gomes, 32 anos, demoliu parte do teto do prédio e a caixa forte da agência do banco HSBC-Bamerindus na zona central de Jaguapitã (65 quilômetros de Londrina). A porta da caixa forte, com aproximadamente 200 quilos, foi arremessada a mais de dois metros de distância. O cofre teve somente parte da porta destruída. A explosão teria acontecido por volta das 9 horas, conforme marcava um relógio encontrado no meios dos destroços.
Foram destruídos também a maioria dos móveis e equipamentos da agência, que, segundo o gerente João Cesar Pinto Barbosa, vai funcionar temporariamente em uma casa que já foi alugada. Na hora da explosão, o alarme contra roubos despertou na delegacia movimentando os policiais. Barbosa não soube precisar o valor que estava no cofre, que ficou parcialmente destruído.
Carlos Eduardo, que declarou ter tentado roubar o banco sozinho, sofreu apenas escoriações. Ele também revelou que levou o maior susto, não sabendo explicar como a explosão ocorreu. Sua prisão ocorreu minutos depois, quando ele apareceu no rombo feito no teto e foi descoberto pelas pessoas que se aglomeraram em frente ao banco. Ele disse que ao ser visto voltou para o interior da agência e fugiu pela porta dos fundos. Carlos Eduardo escondeu-se em uma casa vazia, onde acabou preso.
O perito criminal Geraldo Gonçalves Filho afirmou que a explosão foi motivada por gás de cozinha injetado para o interior do caixa forte, através de um tubo de borracha ligado ao botijão de gás. Carlos Eduardo nega a versão do perito e afirma que tudo não passou de um lamentável acidente. No entanto, Gonçalves Filho mostrou o tubo de borracha interligado ao botijão de gás encontrado na dispensa. Ele (Carlos Eduardo) agora quer chamar isto de acidente. Para mim o rapaz calculou mal a quantidade de gás, garantiu. O perito informou que, após injetar o gás pelo cano, o ladrão teria também passado pelo buraco um fósforo aceso, provocando a explosão.
Aparentando calma e mostrando-se muito versátil e conversador, o azarado ladrão, que nasceu em Porecatu, disse que no momento do estrondo fritava um bife, usando o fogareiro da sala da dispensa da agência. Uma hora antes eu havia entrado no banco pela janela dos fundos. Com a furadeira eu fiz um buraco na parede para ver se encontrava o cofre. Cheguei no banco com fome, trabalhei mais de uma hora e então resolvi fritar um bife que estava na geladeira, contou.
Segundo a moradora Maria Otilia Cortes, o barulho da explosão foi ouvido em toda a cidade e em menos de cinco minutos uma multidão já se aglomerava em frente à agência. Ninguém conseguia entender o que havia acontecido. Somente começamos a desconfiar que se tratava de um assalto quando aquele homem apareceu no telhado e rapidamente desapareceu. Ele nem pediu socorro, contou Maria Otília. Até por volta das 18 horas, o assunto do dia em Jaguapitã era a explosão, e muitos curiosos ainda permaneciam no local na expectativa de novidades. Os bombeiros compareceram pela manhã para vistoriar os escombros mas não realizaram trabalho de rescaldo.


