Tensão, stress e má postura causam 80% das dores de cabeça
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
Dor de cabeça constante nem sempre significa enxaqueca - 80% das cefaléias são tensionais. Podem ser causadas por stress, má postura e depressão, entre outros motivos. Apenas 20% são intracranianas, a exemplo da enxaqueca. Entre a população mundial, 30% têm dor facial.
Para que o diagnóstico das cefaléias seja feito com mais facilidade e o tratamento de forma correta, o Iº Simpósio Internacional Multidisciplinar da Dor Crânio-Cérvico-Facial propõe a discussão do assunto entre médicos, dentistas, fisioterapeutas, psiquiátras e psicólogos. O envento começa amanhã e vai até sábado, no Círculo Militar do Paraná, em Curitiba. O objetivo é que todos esses profissionais estejam capacitados para diferenciar as dores de cabeça e indicar o melhor tratamento.
No curso de Especialização em Oclusão Dentária e Disfunções Crânio-Mandibulares, da Universidade Federal do Paraná, por exemplo, uma equipe de dentistas e alunos atende 300 pacientes que sofrem de dor de cabeça. Por anos, foram atendidos como se tivessem enxaqueca, mas estão lá por fatores emocionais e desequilíbrio postural, entre outros, disse o dentista Paulo Canalli.
Em cada cinco pessoas de uma família, cerca de três têm parafunção - atividade que foge do domínio consciente, como bruxismo (ranger de dentes), segundo o dentista Roberto Maciel. Isso também pode causar cefaléia.
Não são apenas os adultos que têm dor de cabeça. O número de crianças com o problema tem aumentado por causa do agitado ritmo de vida, até mesmo na infância. Entre os 300 pacientes atendidos na UFPR, as crianças representam 8% (24).
A incidência de dor de cabeça é maior em países competitivos. Um estudo da Organização Mundial de Saúde, de 1996, concluiu que os países gastam 2,2% do PIB com dores, principalmente cefaléias. No Brasil, isso representa R$ 10 bilhões em remédios, internações e dias de trabalho perdidos, afirmou Maciel.
Os profissionais da saúde devem elaborar um protocolo de intenções sobre as novas abordagens e tratamento das cefaléias.


