Tensão marca fim-de-semana nos DPs
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de dezembro de 1996
Adriana De Cunto 
Em apenas dois dias, oito presos fugiram e 20 tentaram escapar de distritos policiais de Londrina. A fuga aconteceu às 5 horas de domingo, no 3º DP, localizado no jardim Bandeirantes (zona oeste). Oito detentos saíram de uma das celas por um buraco de 20 x 25 centímetros feito no teto. Segundo o delegado do 3º DP, José Carlos Bassalobre, o policial de plantão conseguiu impedir que um dos detentos deixasse o distrito e acionou a Polícia Militar e o delegado de plantão.
Uma hora depois da fuga, três presos já tinham sido recapturados perto do Posto Corujão, na saída para Cambé (zona oeste), e no conjunto União da Vitória (zona sul). Ainda estão foragidos Diomar de Souza, Nélio Marques de Brito, Miltom Gonçalves da Silva e Valdenir Moreira da Silva.
A tentativa de fuga ocorreu ontem, por volta das duas horas, no 5º DP (zona norte). Os presos de três dos seis cubículos do distrito serraram as grades das celas e chegaram até o corredor. A intenção era sair por um buraco no teto de um dos cubículos que estava desativado. Graças à perspicácia do investigador João Maria Pinheiro de Toledo, que descobriu a trama e acionou o delegado de plantão e a Polícia Militar, a fuga não se concretizou, afirma o delegado do 5º DP, Algacir Antônio Ramos.
Durante todo o dia de ontem, quatro dos seis cubículos do 5º DP ficaram desativados para reparos. Com isso, a superlotação ficou ainda pior no distrito, já que os 44 presos tiveram que se apertar em dois cubículos - com capacidade apenas para cinco presos cada um - e também no corredor. A situação está horrível, admite o delegado Ramos. Ele garante que não houve rebelião depois que a fuga foi frustrada.
Os delegados de distrito de Londrina são unânimes em afirmar que a falta de segurança, de guarda externa e a superlotação de presos são as principais causas das constantes tentativas de fuga dos detentos. Algacir Ramos lembra que, desde que assumiu o 5º DP, em outubro, aconteceram duas tentativas de fuga, arrebatamento de 16 presos (que não foram recapturados) e uma rebelião.
Além da fuga da madrugada de domingo, aconteceram duas tentativas de fuga este ano no 3º DP, segundo Bassalobre. Tentativa de fuga aqui em Londrina é comum, diz o delegado. Ele comenta que os presos não levam mais de uma hora para fazer um buraco na laje do distrito, que tem aproximadamente cinco centímetros de espessura. Para construir uma casa as pessoas fazem laje de sete a 10 centímetros. E neste presídio a laje tem cinco centímetros. O sistema é inadequado, reclama. O concreto ainda é arenoso e não existe ferro na laje. Com capacidade para 32 detentos, o 3º DP tinha, antes da fuga de domingo, 61 presos.
Jurandir Gonçalves André, delegado do 4º Distrito Policial, localizado no jardim Europa (zona sul), disse que, desde que assumiu o cargo, em outubro, só aconteceu uma tentativa de fuga. Ele comemora o fato de nenhum preso ter conseguido fugir de suas delegacias, em seis anos de carreira como delegado. A sorte está do meu lado, acredita. O segredo, segundo ele, é a realização de revistas seguidas várias vezes por dia. O 4º DP tem hoje 42 presos e a capacidade é para 24 detentos.
O delegado José Antônio Zuba de Oliva, do 2º DP, na vila Santa Terezinha (zona leste), diz que já perdeu as contas de quantas tentativas de fuga aconteceram este ano na sua delegacia. Foram seis ou sete, arrisca.
Segundo o delegado, só este ano cinco presos fugiram e dois foram resgatados: Sheila e Gilberto Clausen, esposa e filho de Benedito Clausen, conhecido como Dito Quati. Eles foram presos com 170 quilos de cocaína num sítio do distrito de Lerroville. O resgate foi feito por três homens, na madrugada de 2 de dezembro. Até agora, nenhum dos fugitivos foi recapturado. O 2º DP tem 47 presos, quando a capacidade é para apenas 24.


