Tensão marca diálogo com fazendeiros
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segunda-feira, 28 de abril de 1997
Lúcio Horta 
Josoé de CarvalhoDuro encontroA superintendente do Incra, Maria de Oliveira, o advogado Salinet e os proprietários Waldemar e Salma Delalibera: discordânciasNum clima bastante tenso, a superintendente do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, se reuniu ontem com proprietários da fazenda Borborema, de Tamarana, onde no último domingo trabalhadores sem-terra mataram com tiro na cabeça o segurança José Lopes de Oliveira, 36 anos, conhecido como Django. Participaram da reunião, além da superintendente, Waldemar e Salma Burihan Delalibiera, genro e filha do proprietário; Júlio César Salinet, advogado da família; e membros da Sociedade Rural do Paraná (SRP). O encontro aconteceu na própria SRP, no começo da noite, e foi solicitado por Maria de Oliveira.
Segundo a chefe do Incra, o objetivo da reunião seria expôr aos proprietários o resultado de laudo técnico, preparado pelo instituto, questionando a produtividade da fazenda Borborema. Mas isso acabou não ocorrendo: quando a superintendente começou discorrer sobre o laudo, o advogado Salinet questionou os critérios jurídicos adotados no trabalho.
A superintendente do Incra, então, preferiu convocar o procurador do Incra, o advogado Nirclésio Zabote, para uma nova reunião, que deve ocorrer entre hoje e amanhã, em Londrina ou Curitiba. Vamos esperar mais um dia e assim teremos a oportunidade de fazer uma demonstração total do laudo, disse, acrescentando que não pode divulgar esses resultados para imprensa antes dos proprietários. A reunião ocorreu a portas fechadas.
O laudo que deverá ser apresentado hoje é o segundo preparado pelo Incra. No final do ano passado, foi feito um laudo preliminar, apontando que a terra era improdutiva - portanto, passível de desapropriação. Mas os proprietários recorreram e pediram novo laudo, que deve ser apresentado hoje. Segundo Maria de Oliveira, agora só cabe mais um recurso, em Brasília, em nível administrativo. Depois, só na Justiça.
Segundo Salinet, a família pretende recorrer da decisão enquanto ela for negativa. O proprietário está na fazenda há 26 anos e não vai vender nem por valor acima do mercado. O advogado lembrou foi concedida reintegração de posse na propriedade, este ano, e que os oficiais de Justiça foram expulsos da fazenda quando foram cumprir a decisão.
Acreditando que o novo laudo novamente fosse apontar pela improdutividade das terras, o advogado questionou Maria de Oliveira, no início da reunião: O Incra vai dar um prêmio aos sem-terra pelo assassinato de ontem? A superintendente rebateu dizendo os resultados são técnicos e que ficaram prontos antes de domingo.
O clima também ficou tenso no final da reunião com a chegada do arrendatário Pedro Ribeiro e do segurança Edson Lucena, agredido pelos sem-terra. Quem tem que saber se a terra é improdutiva ou não é o proprietário. Isso aqui é uma palhaçada!, disse Ribeiro. Maria de Oliveira disse que ele não entendia nada de produtividade de terra e encerrou a discussão.
Do Parque Ney Braga, sede da Rural, Maria de Oliveira foi para a sede do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, em Londrina. O objetivo do encontro era saber o que aconteceu na fazenda Borborema, no domingo, e tentar contornar a possibilidade de novas agressões na região.
Segundo ela, se soubesse com antecedência da movimentação na fazenda, teria colocado a Polícia Militar em alerta para evitar qualquer possibilidade de tragédia. Eu não sabia que tinham colocado jagunço na fazenda e não tive tempo de agir.


