Tensão e medo na zona oeste
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segunda-feira, 04 de março de 2002
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Os moradores da zona oeste de Londrina sentiram ontem os mesmos temores enfrentados pela população das favelas do Rio de Janeiro. Devido ao enterro de Geovane da Cruz, 21 anos, classificado pela polícia como um dos chefões do crime nos bairros da região, os comerciantes receberam ordens para baixar as portas. Postos de saúde e escolas também não funcionaram normalmente.
Durante a tarde de ontem, pelo menos seis viaturas da Polícia Militar circulavam pelos bairros Maracanã, Avelino Vieira e João Turquino. A vigilância foi reforçada a pedido dos próprio moradores, entre eles o dono do Supermercado Maracanã, Edson Fernandes da Silva, 32 anos, que recebeu diversas ameaças depois do assassinato de Cruz, ocorrido no domingo.
O autor dos seis disparos, Adalto Rodrigues Antunes, 30, é ex-funcionário de Silva e foi preso em flagrante. Eles deram um tiro na fachada e avisaram que iriam saquear o mercado. O Adalto saiu daqui faz três meses e não tenho nada a ver com ele, disse o comerciante, que não abriu o estabelecimento durante todo o dia.
O medo se estendeu aos demais moradores depois que as escolas municipais Noêmia Alaver Garcia Malanga (Maracanã) e Olavo Garcia da Silva (Avelino Vieira) receberam telefonemas, ordenando que os alunos fossem mandados para casa.
Recebemos ameaças de bomba por volta das 14h30 e fomos obrigados a tirar os estudantes das salas. Vamos reabrir somente depois que a poeira baixar, afirmou o diretor da Olavo Silva, José Carlos de Paula, enquanto pedia o auxílio dos PMs para levar duas crianças para casa.
A poucos metros da escola, em frente ao Centro de Saúde Avelino Viera, moradoras aguardavam pacientemente uma ambulância. O centro de saúde estava fechado e só havia um cartaz, com os dizeres por motivo de força maior.... É ordem dos bandidos, comentou uma grávida que não quis se identificar. Aqui todos têm medo e vão ficar em casa. Vou mandar meu filho e meu neto para a escola somente quando tivermos garantias de segurança, disse uma dona-de-casa.
Os moradores temiam um tiroteio entre gangues rivais durante a noite de ontem. O comando da PM informou que iria manter vigilância redobrada.


