Tensão, dor e fraqueza
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2014
Reportagem Local 
Curitiba - Tensão muscular intensa e prolongada, acompanhada de dor e sensação de fraqueza. Estes são alguns dos sintomas da síndrome dolorosa miofascial, doença pouco conhecida, porém cada vez mais observada na população devido ao sedentarismo associado à sobrecarga de trabalho.
"Ela é a principal causa de dores musculares e uma das queixas mais frequentes em pronto-atendimentos dos hospitais", explica Cristina Martins, anestesiologia e especialista em dor do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), de Curitiba
De acordo com a especialista, a síndrome miofascial é caracterizada por dores em diversas partes do corpo, causadas pela tensão muscular intensa e prolongada. Seu aparecimento é mais comum a partir dos 30 anos de idade. "Mas pode ocorrer na infância até a velhice", acrescenta Cristina.
Pode surgir após grandes traumas, cirurgia na região, acidente com trauma da região (batidas, lesões, estiramentos), causado pelo alongamento excessivo, ou por microtraumas - sobrecarga da musculatura diária através de má postura e atividades repetidas associadas ao sedentarismo. "A dor piora com o repouso prolongado e também com a atividade física excessiva e pode apresentar também inchaço na região afetada", explica a médica.
Diferente da fibromialgia, a dor miofascial tende a ocorrer em pontos de gatilho áreas localizadas que com o estímulo desencadeiam dor - , ao contrário de pontos sensíveis da fibromialgia que tendem a se espalhar. Os locais mais acometidos são pescoço, ombros, costas, costelas, região lombar e quadril. "É uma doença benigna mas que altera e reduz a qualidade de vida, portanto necessita de tratamento", destaca a especialista.
Se não tratada, a síndrome pode atingir outros músculos próximos por sensibilização a dor. "Quando temos dor nossa tendência é imobilizar a região dolorosa e com isso sobrecarregamos outros músculos para compensar os que estão imobilizados", explica a especialista. Ela exemplifica: "quando sentimos dor em um dos lados do quadril sobrecarregamos o lado oposto, isto pode ocasionar dores em toda a estrutura" diz a médica.
Tratamento
A médica explica que, apesar da dor, os exames de laboratório e de imagem costumam estar normais. O diagnóstico da doença é feito por um exame físico na região que o paciente sente a dor, denominada de banda de tensão muscular. Dentro dessa banda, encontra-se um ponto mais doloroso, que quando apertado reproduz a dor sentida pelo paciente, chamada de "ponto gatilho". "Podemos observar inchaço na região atingida e a formação de pequenas depressões na pele que fica com "aspecto de casca de laranja", diz a médica.
O tratamento é feito com medicação e terapias físicas, para o alívio da dor com medicação, liberação das bandas de tensão por meio de massagem, alongamento muscular, laser, ou agulhas; e reabilitação com atividades físicas para alongamento e fortalecimento muscular.
Confira algumas dicas para prevenir a síndrome:
Fazer atividade física regular é a melhor saída para quem não quer ter dor miofascial
Modificar posturas viciosas e incorretas no trabalho e na execução de tarefas diárias, como não ler na cama, não dormir no sofá, não utilizar o ombro para segurar o celular, cuidar ao levantar peso e sentar de forma correta
Fazer pausas para alongamento e relaxamento quando a atividade é repetitiva
Procurar reduzir o estresse. Quem é muito estressado acaba desenvolvendo contraturas da região do pescoço e de ombros
Dormir bem é fundamental: reservar de seis a oito horas diárias para um bom sono. É durante o sono profundo que nossa musculatura relaxa e libera a tensão
Alimentação saudável também é muito importante: deficiências de vitamina D e B12, e de ferro podem aumentar a dor muscular
Fonte: Cristina Martins, anestesiologia e especialista em dor do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG)


