Tensão cresce com chegada do vestibular
Maigue Gueths
De Curitiba
Faltando menos de duas semanas para o vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o zum-zum-zum de conversas nos corredores dos cursinhos é grande e o movimento nas calçadas e lanchonetes vizinhas está bem menor do que há alguns meses. Em compensação, as salas de aula estão lotadas. Esta é uma rotina que acontece todos os anos às vésperas dos vestibulares. Na tentativa de pegar as últimas dicas, aprender o que não conseguiu durante o ano ou apenas relembrar alguns conceitos, a tensão e o estresse tomam conta dos alunos.
Nesta época a tensão é normal, incomum é não ter, diz a secretária da direção do Positivo, Patrícia Ortega. Este clima é chamado pelos próprios alunos e professores de TPV Tensão Pré-vestibular. O diretor do Positivo Renato Ribas Vaz, entretanto, é categórico: Quem tinha que aprender, já aprendeu. Quem não, não vai poder aprender tudo agora na última hora, diz ele, baseado em sua experiência de 27 anos de cursinho, inclusive como professor de Química.
Para ele, quem estudou normalmente durante todo o ano, sem exageros nem desleixos, deve relaxar e fazer uma boa prova. O ideal é fazer cursinho e estudar entre 5 a 6 horas por dia. Isto é suficiente para o cara bom passar em primeiro lugar na universidade e suficiente para um cara médio passar, aconselha.
Mas a tensão e estresse não acontecem apenas nos cursinhos. Em casa a situação continua e cabe aos pais tentar encaminhar seus filhos. Gustavo Erwin Kuss, pai de Talita, que vai fazer vestibular para Odontologia, conta que há um mês sua filha estava tão preocupada que chegou a ter uma crise de depressão e estresse. No 1º e no 2º ano, ela nunca foi de estudar muito, mas no terceirão pegou firme. O problema é que ela via o vestibular como se tivesse obrigação de passar, mas eu já conversei com ela, disse que não é assim e hoje ela está estudando com mais tranquilidade, diz.
Silvia Cristina Trauczynski, mãe de Bárbara de Leão Stockler, de 17 anos, que também faz seu primeiro vestibular para Odontologia, diz que não está fazendo muita pressão sobre a filha. Eu evito jogar este peso sobre ela. Digo que tem que estudar, mas não estou cobrando. Tanto que ela continua com a natação e saindo com os amigos. Segundo Silvia, Bárbara está tranquila, mas mesmo assim pediu a ela que mandasse preparar um floral de Bach.
Laura Viana, mãe de Débora Beatriz Viana, de 16 anos, que vai tentar Odontologia, Direito e Administração em cinco universidades diferentes, diz que tenta dar apoio à filha, que sempre foi estudiosa e está tranquila. Ela estuda em casa de manhã e à noite e faz cursinho à tarde, diz. É a terceira vez que Laura tem uma filha fazendo vestibular. Mas é como se fosse a primeira, diz.Quanto mais próximas estão as provas, mais os alunos se vêem nervosos com a expectativa criada sobre o futuro
Fotos: José SuassunaCURSINHONesta época do ano as salas de aulas estão mais cheias do que nunca e os alunos dão atenção total aos estudosMarcel Barbosa Falleiros confessa que não estudou no ano passado, enquanto Larissa De Bortolo mesmo preparada continua nervosa





