Marcelo AlmeidaSantana: ‘‘Não me preocupo em ganhar, mas fazer amizades e conhecer novas cidades’’Ter que passar o resto da vida numa cadeira de rodas não quer dizer estar condenado ao sofrimento e à tristeza. Quem prova isso são os 12 tenistas em cadeiras de rodas que estão participando em Curitiba da primeira etapa do Circuito Brasileiro de Tênis nessa modalidade, que acontece até sábado no Graciosa Country Club. Esses tenistas rebatem o preconceito e mostram que a deficiência não é sinônimo de incapacidade.
O médico José Carlos Morais, líder do ranking brasileiro, é também um dos melhores exemplos da capacidade dos paraplégicos. Aos 50 anos, Morais, que mora em Niterói (RJ), disputa as competições com o entusiasmo de um garoto e leva uma vida normal: ‘‘Trabalho como médico, dou aula em universidade, jogo tênis e viajo como qualquer pessoa’’.
Marcelo AlmeidaDeodato, paraplégico desde os dois anos e meio de idade: hobby tirou-o da depressão
Morais, que ficou paraplégico aos 25 anos depois de levar um tiro na coluna, foi o precursor do tênis em cadeira de rodas no Brasil. Ele jogava basquete em cadeira de rodas e foi a um torneio na Inglaterra, em 1985, onde se apaixonou pelo tênis e trouxe a idéia para o País.
Os esportes praticados sobre cadeiras de rodas, como o tênis e o basquete, são para a maioria dos deficientes a retomada de uma vida que sofre uma brusca interrupção. É o caso do representante comercial César Gabech, 34 anos, de São Paulo. Depois de ficar paraplégico em um acidente de carro há quatro anos, Gabech disse que encontrou no tênis a força para reaprender a viver. ‘‘Numa situação dessas é normal a pessoa desistir da vida, mas me adaptei e encontrei no tênis um estímulo’’.
O niteroiense Carlos Henrique Santana, 34 anos, que há dez ficou paraplégico por causa de um tiro nas costas, também encontrou no tênis uma nova vida. Para ele, a maior vitória nos jogos é a integração com os jogadores. ‘‘O mais importante é fazer amigos e conhecer novas cidades’’.
Para o escrivão de polícia Cristiano Deodato, 25 anos, de Santos (SP), que desde os dois anos e meio é deficiente, o tênis significa gratificação. ‘‘Ensinei o tênis a alguns amigos meus que viviam deprimidos por serem deficientes e eles nunca mais ficaram deprimidos’’.

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