Tenho vontade de ter qualidade de vida
A história de sofrimento da farmacêutica Sandra Aparecida de Andrade, de 39 anos, dura quase 30 anos. As crise de cólicas começaram na segunda menstruação, quando ela tinha nove anos. O diagnóstico veio ao 32 anos, após consultar seis médicos. Um deles chegou a justificar que suas dores eram em função de ter o útero retroverso. Aos pesquisar sobre isso, Sandra encontrou referências sobre o assunto e se conformou com o diagnóstico. "Eu tinha um volume muito grande de fluxo menstrual e cólicas e isso era uma das características do útero retroverso. Então, me acostumei com a dor", conta.
Mas em 2008 ela teve três meses de hemorragia e durante um ultrassom veio o diagnóstico de endometriose. O tratamento foi feito em São Paulo. A doença estava no último grau e profunda. Foram cinco horas de cirurgia. A endometriose tinha atingido ovário, trompas e intestino.
Cinco meses depois, a doença voltou. Como a endometriose era muito profunda, ficaram alguns focos que se espalharam. Desta vez, Sandra perdeu o ovário e a trompa esquerda, ficou com sequelas no intestino e perdeu parte do colo do útero. As sequelas dificultam a gravidez.
Sandra estava aliviada por ter se livrado das dores. Foram quatro anos bem, mas há pouco tempo ela descobriu que tem adenometriose, aderências na parte interna do útero. E agora ela luta para evitar uma histerectomia que colocaria fim ao sonho de ser mãe.
"Tenho vontade de engravidar, mas também tenho vontade de ter qualidade de vida." Sandra faz terapia para conseguir lidar com a doença. "Você se cobra no profissional, porque você não consegue trabalhar. Faço terapia para ter um respaldo, senão você fica louca." (A.M.P.)





