Tenho que correr atrás para pagar
Uraí - Outros problemas detectados na fazenda do interior de São Paulo, de acordo com a assessoria de imprensa da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo foram a falta de fornecimento de equipamentos de proteção individual, sanitários, água potável e transporte irregular. Os auditores também identificaram que "os trabalhadores compravam mantimentos e outros produtos numa mercearia pertencente a um dos contratantes, acumulando dívida para desconto em salário", segundo nota divulgada pelo órgão.
Natural de Rancho Alegre, Aparecido Afonso Sales, 45, foi um dos primeiros a abandonar a fazenda. Indignado, o trabalhador rural ficou menos de uma semana no alojamento. Foi para a casa de parentes nas proximidades e pagou a passagem de volta do próprio bolso. "Agora tenho que correr atrás para pagar os empréstimos que precisamos fazer para pagar a viagem", lamenta.
Dos 57 anos de vida, o lavrador João Valério da Silva passou 12 sob o sol forte da roça. Apesar das décadas de experiência, o trabalhador nunca passou por situação parecida. O combinado com o patrão sempre foi cumprido, garante ele. Quando relata os maus momentos que passou no interior paulista, João Valério confessa que tem "vontade de chorar."
As ciladas poderiam ser evitadas pelos lavradores se houvesse uma busca por orientação junto aos representantes da categoria antes das viagens. A análise é do funcionário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Uraí e Rancho Alegre Adilson Ramalho
Matta. Isto ocorre, segundo ele, porque normalmente eles arrumam trabalho em terras distantes por indicação de amigos. (F.R.F)





