Tenho ordens de não deixar ninguém entrar
Mário CésarIncógnitaLuiz Raimundo, segurança da fazenda: sem conhecer os patrõesNa porteira da Santa Mônica, sexta-feira de manhã, o segurança Luiz Carlos Raimundo vai logo dando o recado: Tenho ordens para não deixar ninguém entrar. Ele diz que chegou à região na última terça-feira, vindo de São Bento (SC), com a esposa e seis filhos, para trabalhar na fazenda. Mas até aquele dia, garantiu, não sabia nem o nome dos patrões e muito menos o que estava sendo construído lá dentro. Parece que é reforma de máquina agrícola, mas não sei direito.
O segurança acrescenta que conseguiu emprego por acaso, quando os proprietários da fazenda foram procurar mão-de-obra em Santa Catarina. Segundo ele, poucas famílias moram na propriedade, apesar das várias casas construídas. Está para chegar o pessoal, mas também não sei quem são. Esse mês o povo chega, aponta. Ele acrescenta que a porteira onde está trabalhando, próxima à fazenda Itajubá, será lacrada. No entanto, indica que bem perto da porteira está sendo construída uma guarita para outro segurança morar e trabalhar. Outro detalhe: os seguranças dentro da fazenda, segundo ele, trabalham munidos com rádios de comunicação interna. Mas não sei de mais nada não.
Perto da entrada da Santa Mônica, a reportagem da Folha encontrou o mecânico Aldo Takemura, que chegava à fazenda. Ele disse que estava prestando serviços à propriedade mas também não sabe exatamente que tipo de empreendimento será lançado no local. Vim de Sorocaba (interior de São Paulo) para consertar uma máquina de terraplanagem. Fui só até a sede e não conheço o resto da fazenda.
Aldo Takemura comentou, apenas, que está sendo construída na fazenda uma represa, a partir de um rio que corta a propriedade. Falaram que ia ser uma escola técnica, mas parece que não deu certo. Agora pode ser um pesque-pague, sugere, sem mais detalhes.





