Durou mais de 12 horas o julgamento do tenente da Polícia Militar (PM) Albano Rodrigues de Oliveira, acusado de matar o jovem Elizeu Felisberto da Silva durante uma blitz na região central da cidade, em outubro de 1991. Oliveira é o primeiro oficial da PM a ser julgado pela justiça comum em Londrina. Até 96, a competência dos julgamentos dos crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra civis, no exercício do trabalho, era da justiça militar.
O crime aconteceu na Avenida Theodoro Victorelli, próximo à Avenida 10 de Dezembro, por volta das 22 horas. O tenente estava no comando da operação. De acordo com depoimento de um amigo da vítima, os dois estavam de motocicleta e Silva, ao perceber a presença dos policiais, tentou atravessar o canteiro da avenida, por estar sem habilitação. À ordem dos policiais, porém, o rapaz teria parado. Mesmo assim, segundo o depoimento, Oliveira teria chegado repentinamente e desferido um golpe com a arma na cabeça de Elizeu da Silva, causando o disparo fatal.
A acusação de Oliveira foi feita pelo promotor da 1ª Vara Criminal, Miguel Jorge Sogaiar, auxiliado pelo advogado Mauro Vioto. Na defesa do tenente atuou João Gomes dos Santos Filho. O plenário do Tribunal do Júri permaneceu lotado durante todo o dia, com a presença, inclusive, de vários policiais militares. Até o fechamento desta edição, às 21 horas, o júri não havia encerrado os trabalhos.
O próximo julgamento deverá acontecer na terça-feira, quando será proferida a sentença de João Bianor de Queirós, que no dia 7 de maio de 96 disparou dois tiros contra o garoto Everson Domingues da Silva, na época com 14 anos. Queirós era presidente da Associação de Moradores do Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste) e irritou-se com o comportamento de Everton, que ficou do lado de fora de uma festa para idosos no centro comunitário do bairro pedindo pão. Os dois teriam discutido e Queirós atirou primeiro no ombro do garoto. O segundo tiro atingiu a cabeça, matando-o.
Logo em seguida o réu ficou mais de um ano foragido e várias tentativas de realizar o júri já foram feitas, mas por questões técnicas eram sempre adiadas. Desta vez, o promotor Miguel Sogaiar acredita que não haverá brechas para mais um adiamento.
Sogaiar declarou esta semana à Folha que a quantidade de pedidos de adiamentos feitos pelos advogados dos réus que irão a julgamento estão provocando morosidade na solução dos casos. Por isso, o promotor da 1ª Vara Criminal disse que a partir de agora o Ministério Público será contrário a todos os pedidos de adiamento, ‘‘a não ser nos casos em que for apresentada justificativa legítima e comprovação documental do pedido’’.
Na quarta-feira à tarde serão julgados por homicídio qualificado e corrupção de menores Mário Paulo Rodrigues da Costa, Nilton Lemes Gonçalves e Alexandre Vieira Lima. Sidnei César da Conceição, envolvido no mesmo caso, será julgado por tentativa de homicídio qualificado. Os quatro estavam armados e envolveram-se em uma briga de gangues no Parque Ouro Branco (zona sul da cidade). Os tiros atingiram duas pessoas e uma delas morreu.

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