Curitiba - Em depoimento que durou cerca de uma hora, o tenente-coronel Valdir Copetti Neves negou, ontem, no Tribunal do Júri, em Curitiba, as acusações de ter comandado ou participado de sessões de tortura para obter a confissão dos acusados da morte do menino Evandro Ramos Caetano, em abril de 1992.
Segundo denúncia do Ministério Público (MP), sete pessoas estariam envolvidas no crime, que teria ocorrido durante um ritual de magia negra, em Guaratuba, no Litoral do Estado. Entre os acusados, estão Airton Bardelli dos Santos e Francisco Sérgio Cristofolini, cujo julgamento começou na última quinta-feira.
Neves foi arrolado como testemunha pela acusação e defesa. Os advogados de Bardelli e Cristofolini alegam que seus clientes foram torturados para confessarem o crime, mas que, mesmo assim, não teriam confirmado qualquer envolvimento na morte de Evandro.
Antes de começar a responder as perguntas do juiz da 2 Vara do Tribunal do Júri, Rogério Etzel, Neves alegou estar ''debilitado psicologicamente'' por conta de sua prisão em outro processo, que corre na Justiça Federal de Ponta Grossa, em que ele é acusado de, supostamente, comandar um grupo armado para impedir invasões de terra. Ele está preso há mais de dois meses. Durante o interrogatório, o tenente-coronel se valeu de seu estado emocional para justificar o esquecimento em algumas respostas.
Neves relatou que recebeu ordem de seu superior para que o grupo Águia fosse envolvido nas investigações, atendendo pedido da Procuradoria Geral da Justiça. Disse, no entanto, que seu grupo não participou das prisões de Bardelli e Cristofolini, mas apenas de outros quatro acusados. As acusações contra os dois réus de que eles teriam participado do suposto ritual, que constam no relatório da operação batizada ''Magia Negra'', segundo Neves, foram repassadas por seus subordinados, que teriam se baseado no relato de testemunhas.
Ainda consta do relatório que Bardelli - funcionário da serraria onde teria acontecido o ritual - teria ocultado partes amputadas do corpo de Evandro e que Cristofolini seria ''pistoleiro'' da família Abagge. Celina e Beatriz Abagge foram acusadas de serem as mandantes do crime, já que o suposto ritual teria o intuito de melhorar as condições financeiras e políticas da família.
Além de Neves, prestaram depoimento, pela manhã, o promotor de Justiça de Paranaguá, Carlos Alberto Dalcol, a perita odonto-legista Beatriz de França e o tio de Evandro, Diógenes Caetano. À tarde seriam ouvidos os delegados Luiz Carlos Oliveira e Adauto Abreu de Oliveira e testemunhas de Bardelli que confirmam que ele não estaria na cidade na noite em que o crime teria ocorrido. Celina e Beatriz Abagge também prestariam esclarecimentos como informantes.
A previsão do juiz Rogério Etzel era de concluir o restante das oitivas das testemunhas ainda ontem. A diligência do Conselho de Sentença a Guaratuba foi, novamente, indeferida. Quatro dos sete jurados votaram contra. Segundo Etzel, hoje já serão iniciados os debates da acusação e defesa e, salvo imprevistos, o júri deve ser concluído até à noite ou o mais tardar na madrugada desta terça-feira.

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