Na palestra de ontem, Delgado apresentou números que desmistificam a tese de que o Brasil investe pouco em saúde pública, e de que a saída seria então mesmo a completa privatização do setor. ‘‘O País investe bastante. O problema é como o investimento ocorre, onde vão parar os recursos. São cerca de R$ 20 bilhões anuais, o que representa 3% do nosso PIB. A maioria dos países que têm o mesmo porte do Brasil investe no máximo 1,5% do PIB. Outro grande problema é que nós gastamos muito com a cura, e não com a prevenção das doenças’’, diz o consultor.
Ele ressalta que até os Estados Unidos começam a rever a tese de que a saúde é uma mercadoria como outra qualquer. ‘‘Esta visão neoliberal foi levada ao extremo, nos últimos 40 anos. Agora, eles começam a se dar conta da importância de mudar, de resgatar o humanismo, a ética no atendimento médico. É lógico que isto se dá por por exigência dos pacientes/clientes. Toda está lógica de tratar a saúde como bem de consumo, começou a ser revista nos Estados Unidos recentemente. E nos países mais desenvolvidos da Europa - Inglaterra, França e Alemanha -, o Estado ainda tem um espaço significativo na fiscalização e na qualidade da saúde prestada à população. Aqui, não pode ser diferente: o Estado deve garantir o mínimo básico, e a iniciativa privada deve oferecer o restante.’’

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