Ibiporã - As cenas que se formaram após o temporal que atingiu Ibiporã (Norte), no final da tarde de ontem, eram de desespero e curiosidade. O município de aproximadamente 47 mil habitantes ficou devastado pela forte chuva que veio acompanhada por rajadas de vento e que durou apenas alguns minutos.
Tempo suficiente para a gerente do Auto Posto Zapa passar por momentos de terror. Ivete Libera Cansi, 39 anos, contou que o primeiro sinal da chuva foi causado pela queda de energia elétrica. ''De repente veio um vento forte que levantou telhado e tudo o que tinha pela frente. Só deu tempo de eu deitar no chão e rezar para que o vendaval passasse logo'', disse ela, que presenciou um caminhão ser atingido por um telhado. ''Nunca vi algo parecido'', completou.
A menos de uma quadra de distância, a família de Geralda Fantini Angelo, 68 anos, lamentava a destruição da oficina mecânica Ipiranga. ''A chuva acabou com nosso trabalho de 40 anos. Esse é o negócio da família. Estamos todos sem saber o que fazer agora'', comentou emocionada.
Ao andar pelas ruas, outras cenas também impressionavam. Os moradores se uniram na reparação das ruas e casas. Materiais como motoserras, pás e cordas se tornaram ferramentas primordiais. O comerciante Carlos Jungi Fujii, 46, acompanhava o trabalho de remoção de seu veículo, atingido por uma árvore. ''Eu o estacionei embaixo da árvore porque quando cheguei no trabalho, o sol estava forte demais'', lamentou.
No início da noite, o Corpo de Bombeiros de Ibiporã ainda estava fazendo um levantamento sobre os estragos e sobre o número de pessoas atingidas. ''Estamos recebendo chamada a todo momento e por isso estamos solicitando a ajuda de cidades vizinhas e tentando levantar as informações'', disse o cabo Rodrigues, que tinha acabado de chegar ao Hospital Cristo Rei, o maior da cidade, que foi destelhado. Cerca de 70% da cidade estava sem energia.
A direção do hospital teve que desativar 31 leitos e a área devastada é de 80 metros quadrados. Por sorte, ninguém se feriu. Os pacientes internados em áreas comprometidas foram transferidos para outros setores.
De acordo com o subtenente do Corpo de Bombeiros e chefe da Defesa Civil do município, Saul de Lima Brezink, o trabalho agora é priorizar os pontos mais críticos, potencializar a distribuição de lonas aos moradores que tiveram suas casas destelhadas e orientar a população. ''Pedimos que as pessoas procurem atendimento médico em cidades como Cambé e Londrina e continuem evitando ficar debaixo de árvores e estruturas que ainda estão comprometidas'', disse.
O prefeito José Maria Ferreira confirmou que 30 mil pessoas foram prejudicadas, mas disse que não houve feridos. ''Nós já aguardávamos um temporal, mas não poderíamos imaginar que seria nesta proporção.''

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