Nos últimos dois dias, a rotina da família do metalúrgico Emerson Andres, 25 anos, é lutar contra a chuva incessante que forma poças nas lonas pretas que substituíram o telhado da sua casa e invade o chão, já encharcado. Além do telhado inteiro da casa do metalúrgico, o vendaval do final de semana atingiu, em maior ou menor grau, 80 famílias em Londrina. Os dados são da Defesa Civil, que iniciou ontem uma campanha de arrecadação de telhas, móveis, colchões, roupas.
Na casa do metalúrgico só se salvou a geladeira. ''Consegui colocar uma placa em cima e a água não atingiu o motor, mas a tv e o som estavam molhados. A gente ainda não tentou ligar mas sabe que perdeu, estavam vazando água'', diz. À noite, a família se abriga na casa de parentes.''A gente não tem uma única roupa seca. Pior que ficar molhado é esse frio que está de amargar'', conta. Por falta de roupas secas, Anders e a esposa não foram trabalhar ontem. O soalho da casa, no jardim Paris (Zona Norte) está encharcado e ele passou o dia inteiro tirando água do chão e das lonas.
Na casa da filha de Maria Helena de Paula, 46 anos, cuja parte do teto dos quartos também foi arrancada, o dia também foi de brigar contra o tempo. ''Desde ontem (anteontem) a chuva cai e a gente coloca ela para fora'', afirma. Segundo ela a grande sorte foi que no momento do temporal as netas estavam com ela na casa ao lado. ''Senão as telhas teriam caído em cima delas. Nunca tive tanto medo na vida'', comenta.
No mesmo bairro, os ventos que atingiram 81 km/hora arrancaram o telhado de uma casa pelo madeirame. Os moradores foram se abrigar na casa de parentes. Segundo a Defesa Civil, os bairros mais atingidos estão localizados na Zona Norte e Leste. Quase 2 mil m2 de lona já foram distribuídos.
Segundo o chefe da Defesa Civil, Carlos Afonseca, o órgão aguarda a estiagem para iniciar a distribuição de telhas às famílias mais carentes. Ontem cestas básicas e colchões já foram distribuídos. ''Estamos pedindo que a sociedade se mobilize para podermos ter telhas suficientes para todas essas pessoas'', afirma. Além de telhas, o órgão pede móveis, colchões e comida. As doações podem ser feitas pelo telefone 199, que atende 24 horas.
Também nas ruas o trabalho de limpeza foi grande. A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) colocou uma equipe de 40 homens para retirar árvores e galhos caídos. Pelo menos 40 árvores foram arrancadas. A previsão é que a limpeza termine até amanhã.
Para o metalúrgico, o dia de hoje promete ser outro desafio. Segundo previsão do Serviço Meteorólico do Paraná (Simepar), a terça-feira permanecerá com tempo instável e sujeito à pancadas de chuva. ''A partir da quarta-feira começa a melhorar'', afirma o meteorologista Samuel Braun. O temporal, segundo ele, foi ocasionado por uma frente fria vinda do Rio Grande do Sul que encontrou uma grande massa de instabilidade na região da fronteira com o Paraguai.

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