Grande parte da cidade de Londrina amanheceu nesta quinta-feira (1°) assustada com o vento forte e a chuva. Às 5h45, o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) confirmou que as rajadas de vento chegaram a 82,1 quilômetros por hora, no momento em que muitos feirantes montavam suas barracas na feira da Rua Alagoas e na Avenida São Paulo, no centro de Londrina.

Pelos registros feitos pelos feirantes, é possível ver que o vento derrubou diversas barracas, fazendo com que muitos deles perdessem parte da mercadoria que seria vendida.

A Folha esteve na feira por volta das 9h e pôde notar que poucas barracas estavam montadas no local, com um movimento tímido, muito diferente do habitual. O clima era de medo e de surpresa com a força do vento, que veio de repente levando tudo o que via pela frente.

Imagem ilustrativa da imagem Temporal assusta feirantes e derruba barracas em Londrina
| Foto: Jéssica Sabbadini

Gabriel Igor Rafael, 27, é feirante há 9 anos e chegou no local de trabalho por volta das 5h20, pouco antes de o temporal começar. Ele disse que, logo que chegou, apenas alguns relâmpagos cortavam o céu, sem indícios do que viria logo na sequência. Enquanto montavam a tenda de pastel, de repente um vento forte chegou e começou a derrubar diversas barracas. “Para a gente até que foi de boa, mas o pessoal que foi embora teve prejuízo”, relata.

O feirante conta que o temporal pegou todo mundo de surpresa. “Foi do nada. Simplesmente veio um vento forte e começou a levar tudo. As barracas quebraram e o voaram”, explica.

Em alguns trechos da Rua Alagoas era possível ver diversos galhos enroscados na rede elétrica. No chão, algumas frutas e legumes estavam jogados, dando indícios que muitos feirantes acabaram perdendo parte da mercadoria.

Da mesma maneira que chegou, o vendaval foi embora, de repente e sem avisar ninguém, deixando apenas a chuva e os estragos para trás. Pelas contas de Gabriel Igor Rafael, pelo menos 12 feirantes foram afetados e precisam retornar para casa.

Leia mais:

'Mercadoria caiu no chão'

O feirante Anderson Bertegani, 44, chegou na Rua Alagoas para montar a barraca por volta das 4h, como de costume, mas foi surpreendido pelo tempo pouco antes das 6h. “A mercadoria caiu no chão, o pessoal perdeu bastante coisa. Eles até desanimaram e foram embora”, conta, citando que o prejuízo para alguns foi grande. Há cerca de dois anos, segundo ele, um temporal semelhante durante a feira do domingo também impactou os feirantes.

Bertegani, que vende pamonha, curau e outros produtos à base de milho, explica que já tinha travado a banca no chão porque sabia da possibilidade da passagem de uma temporal, o que evitou que ele perdesse a mercadoria. “Se eu não tivesse amarrado a barraca, tinha perdido também”, afirma. O que fica, nesse momento, é o susto, segundo ele, mas também o sentimento de companheirismo entre os colegas, já que depois que o vento passou todos começaram a se ajudar na tentativa de minimizar os impactos.

Imagem ilustrativa da imagem Temporal assusta feirantes e derruba barracas em Londrina
| Foto: Arquivo Pessoal

Indo embora

Também era para a feirante Luciana Mara Gomes Santana, 46, estar na Rua Alagoas no momento do temporal, mas ela resolveu dar uma olhada no tempo antes de sair de casa e decidiu esperar. Minutos depois, o vento chegou com força e de repente.

Imagem ilustrativa da imagem Temporal assusta feirantes e derruba barracas em Londrina
| Foto: Jéssica Sabbadini

Santana só conseguiu ir para a feira por volta das 6h40, quando a chuva deu uma trégua. “O povo estava indo embora porque tinha quebrado as bancas”, relata, sobre o cenário que viu quando chegou. Segundo ela, os colegas precisam recolher a mercadoria e a lona utilizada nas tendas que ficaram espalhadas pela rua. “As barracas de feira são muito fraquinhas, elas não aguentam um temporal, só uma chuva leve”, explica.

“Eu fiquei com dó dos feirantes que chegaram mais cedo”, lamenta, sobre as perdas. Luciana Mara Gomes Santana conta com a ajuda de uma kombi para transportar a mercadoria, então, se precisasse, ela admite que entraria no veículo para se proteger e deixaria os queijos, goiabadas e outros produtos para trás.

“Esses temporais estão dando medo. Está muito difícil trabalhar na rua porque você nunca sabe o que vai acontecer. A gente fica à mercê do tempo e o não tem que o fazer porque tem que trabalhar. É o único serviço que a gente tem”, lamenta.

mockup