Está aberta a temporada do sorvete. Delicioso e refrescante, ele é ótima opção para enfrentar os dias quentes que estão por vir. Fabricantes esperam aumentar as vendas e afirmam que o sorvete é importante fonte de nutrientes.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes (Abis) indicam que o alimento possui menos calorias que um ovo frito ou um pão francês: enquanto 100 gramas de sorvete de creme possuem 208 calorias, a mesma medida de pão francês tem 269 calorias e de ovo frito, 216.
Mas especialistas lembram que o consumidor deve ficar atento à composição do produto. As matérias primas utilizadas na sua fabricação é que definem a qualidade. ''Quem quer consumir sorvete nutritivo precisa dar preferência àqueles que são feitos a base de leite (os chamados cremosos). É necessário que o consumidor observe nos rótulos o que foi utilizado no preparo ou perguntar ao vendedor. As empresas são obrigadas a passar esse tipo de informação'', explica a professora doutora em Nutrição da Unopar, Rejane Neves-Souza.
Dependendo do material usado na fabricação, o alimento pode conter proteínas, açúcares, gordura vegetal e/ou animal, vitaminas A, B1, B2, B6, C, D, K, cálcio, fósforo e outros minerais essenciais numa nutrição balanceada.
Cálcio Com relação ao cálcio, o sorvete pode ser importante fonte, principalmente para quem por hábito, gosto ou intolerância à lactose, não ingere produtos lácteos na quantidade necessária.
De acordo com nutricionistas, o cálcio é um mineral essencial para a saúde de dentes e ossos e seu consumo, através da dieta e particularmente através do leite e derivados, é importante durante a infância e a adolescência, fases em que ocorrem os maiores ganhos de massa óssea.
Os especialistas informam que nos demais períodos, como durante a vida adulta e a maturidade, a dieta desempenha papel importante para manter a estrutura óssea adquirida nas fases anteriores.
Segundo Rejane, a diferença no valor calórico dos sorvetes é muito grande. Por isso, apesar de fazer bem, a população deve consumi-los com moderação. ''Tem-se que tomar muito cuidado com o produto escolhido, pois, quando há excessos, alguns tipos podem não ser considerados bons.''
Consumo O consumo do produto no Brasil é baixo, se comparado a outros países, mesmo tendo clima tropical. Aqui, o índice é de 3,5 litros per capita por ano menos de um quarto do que a população dos países nórdicos ingere, algo em torno de 20 litros por pessoa ao ano, segundo a Abis.
Para a associação, parte desses índices se explicam pelo fato do brasileiro tradicionalmente encarar o sorvete como produto exclusivo dos meses de verão, o que não acontece na Europa.
''Somos educados a acreditar que tomar sorvete no inverno faz mal, provoca gripes e resfriados. Essa é uma idéia falsa'', afirma o presidente da Abis, Eduardo Weisberg.
Outro aspecto que explicaria o baixo consumo, para empresários da área, é o fato de se classificar o produto como sobremesa. ''Nos países desenvolvidos o sorvete é entendido como outro alimento qualquer'', afirma o sócio-proprietário da Confeitaria Mister Cuca, Gustavo Willy C. Silva.
Para a professora Rejane, esses não podem ser considerados os únicos fatores. ''Acredito que o baixo consumo no país tem relação com o preço. Sorvetes industrializados não custam menos que R$ 1,50 e estes são os de frutas. Os cremosos são ainda mais caros.''
Rejane lembra que nas estatísticas podem não entrar os números de sorveterias menores, com preços mais acessíveis. Mas ela afirma que a população deve ficar atenta aos produtos mais baratos. ''Eles não costumam ter boa qualidade e a fabricação muitas vezes não cumpre normas básicas de higiene.''
''Comprar sorvetes de vendedores ambulantes é um risco, pois eles podem transmitir diversas doenças, como a diarréia, por exemplo. O consumidor deve dar preferência aos produtos de empresas identificadas e conhecidas no mercado'', completa.

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