Tempo seco e baixa umidade: riscos à saúde
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terça-feira, 01 de agosto de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 
Londrina completou nesta terça-feira (1) semana 42 dias sem chuvas. Com isso, o tempo seco e a baixa qualidade do ar aumentaram, trazendo riscos à saúde, principalmente para quem já possui problemas respiratórios. Normalmente, crianças e idosos são os que mais sofrem com este clima. Nos últimos dias, a umidade relativa do ar chegou a 35% na região Norte. A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera estado de atenção em 30%, enquanto que o recomendado é a partir de 60%.
Entre as consequências que este clima pode provocar estão o ressecamento dos olhos, boca e nariz. "Primeiro que a parte da alergia respiratória piora, porque aumenta o número de infecções, além da falta de ar e a febre. Além disso, nas pessoas em geral a pele fica ressecada. Independente de já possuir algum problema, o tempo seco faz com que todos fiquem suscetíveis", explicou o médico alergista-imunologista Miguel Alberto Piccirillo, de Londrina. As principais doenças que se manifestam são as rinites, sinusites, pneumonias e asma.
Segundo ele, a hidratação constante e manter os lugares arejados são algumas das formas existentes para reduzir estes problemas. "O principal é consumir muito líquido e colocar uma bacia ou uma toalha com água no quarto. Para quem tem alergia, é preciso hidratar o nariz com soro fisiológico e evitar aglomerações", recomendou. "Umidificadores também podem ser usados, porém não o dia todo, porque ao invés de ajudar, pode fazer mal", aleta.

O horário para a prática de atividades físicas também precisa ser levado em consideração, como atividades antes das 10h e após as 17h. Outras orientações são usar roupas leves e evitar refeições "pesadas", sendo recomendado o consumo de frutas e verduras. Usar sombrinha ou guarda-chuva para andar nas ruas também ajuda.
Durante o período de tempo seco, os cuidados precisam ser redobrados com as crianças e os idosos, que, nos extremos da idade, acabam necessitando mais do atendimento médico. "Normalmente, a criança não tem a imunidade completamente desenvolvida e depende do cuidado de outras pessoas. Já o idoso tem uma mucosa pior e mais ressecada. Esta faixa etária possui uma imunidade bem menor em relação aos jovens e adultos."
Para Piccirillo, a principal forma de combater doenças durante a estiagem e a baixa umidade está na prevenção. "O que muitas pessoas desconhecem é que os problemas respiratórios costumam ser transmitidos pelo contato e não pelo ar. Por isso, é necessário lavar sempre as mãos ou higienizá-las com álcool em gel 70%", afirmou. "O melhor é não se adoentar, mas se caso ficar doente, tem que procurar um médico para que não piore", indicou.

Região Norte tem julho mais seco desde 1976
O último dia de chuva em Londrina aconteceu no dia 20 junho, quando foram registrados 8.2 milímetros. Desde então, a cidade e a região passaram a conviver com um dos períodos mais secos dos últimos 41 anos para um mês de julho. "Isso afeta a qualidade do ar e na questão dos poluentes, principalmente nos finais de tarde", alertou a meteorologista Ângela Beatriz Costa, do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná).
De acordo com Costa, um sistema de alta pressão impede com que as frentes frias cheguem até o Estado, causando bloqueio atmosférico. "Este sistema está predominando em grande parte do País, como as regiões Centro-Oeste e Sudeste, além dos outros estados do Sul. No Paraná, somente as cidades litorâneas não vêm sofrendo tanto com este tempo seco."
Existe possibilidade de chuva na quinta-feira (3), porém de forma isolada. "Temos uma frente fria que está aproximando-se e esperamos que ela avance pelo litoral nos próximos dias até chegar a nossa região. Porém, é uma chuva que pode acontecer em uma cidade e em outra não. Fora isso, o tempo deve continuar como está." (P.M.)

É inalação a cada 15 minutos
O longo período de estiagem vem trazendo problemas para a família da vendedora Ângela Lopes de Oliveira. Os três filhos têm doenças respiratórias, o que faz com que o cuidado em casa seja redobrado. Na segunda-feira (31), ela precisou procurar atendimento médico no PAI (Pronto Atendimento Infantil) para Antonela, de apenas quatro anos.
"Com este clima seco ela está tendo muita febre, rouquidão, dor de cabeça e sinusite. Ela vem tomando remédio para bronquite, entretanto não está resolvendo. A única saída foi procurar um especialista", afirmou. "Os outros dois filhos também possuem os mesmos problemas respiratórios e estão sendo medicados, porém o estado de saúde deles é mais controlado", contou.
Com diversos problemas respiratórios desde 2008, quando descobriu que tem alergia ao ar, fungos e bactérias, além de asma, a dona de casa Mirian Mariano Monteiro, 47, não desgruda da bombinha de ar. "É inalação a cada 15 minutos quando estou atacada, que é o que vem acontecendo. No fim de semana tive que ir até a unidade de saúde porque me deu uma crise forte. Quando chega período do ano assim é muito difícil", constata.
Se não bastasse a falta de chuva e a baixa umidade do ar, Monteiro ainda precisa conviver com as adversidades do bairro, que possui uma estrada de terra. "Como não chove, qualquer veículo que passa levanta um 'poeirão'. Não só eu, mas várias pessoas que moram no bairro possuem problemas respiratórios. Isso acaba piorando ainda mais o que já está ruim. Já cheguei a tomar remédio corticoide por causa dos problemas que eu tenho", lamentou ela, que mora no jardim Santo André, na zona oeste de Londrina. (P.M.)


