Tempo parou no Centro Comercial
Londrina - Em alguns lugares do Condomínio Centro Comercial Londrina o tempo parece ter parado. Tudo está semelhante à época da inauguração, com exceção da movimentação de clientes. Um dos exemplos é o escritório de contabilidade Contabilex, no piso inferior. Na porta, o número do telefone com apenas quatro dígitos, 1838, indica que o escritório é antigo. O contador Orlando Mitsuo Kato, 58 anos, relatou que os móveis de madeira já estavam por lá quando entrou no escritório, em 1978. "O escritório ficava aqui porque a Receita Federal ficava na Rua Piauí e a Receita Estadual ficava na Rua Pará, então tudo era perto." Para ele, o comportamento das pessoas é o que mais mudou com o passar do tempo. "O ser humano era mais simples, mais tranquilo e não tinha tanto estresse. Com o passar dos anos as pessoas foram mudando e tudo precisa ser feito com mais pressa e urgência", destacou Kato, lembrando do Professor Netuno, um famoso astrólogo da época, que atendia quase em frente ao seu escritório.
Para o sapateiro Milton Abade Bonfim, 78, 2014 pode ser seu último ano em atividade. Ele contou que aprendeu o ofício em Vitória da Conquista (BA) e desembarcou em Londrina em 1963, onde instalou a sapataria na Rua Sergipe, que depois mudou para o Centro Comercial. "No auge do movimento, entre 1980 e 1985, o número de clientes na loja era de 20 por dia. Hoje caiu para dez pessoas ao dia. O prédio é antigo e só vai melhorar no dia em que fizerem benfeitorias", opinou.
O proprietário do Bar do Jaime, Jaime Mendes Gomes, 62, afirma que durante uma recente reforma, fez questão de manter o piso original do estabelecimento. "Isto aqui é porcelana italiana. Dá dó trocar esse piso, não se encontra mais." Gomes relatou que era motorista de táxi em Maringá quando resolveu abrir o bar em Londrina. "Já estou há 42 anos aqui. Me lembro que aqui no Centro Comercial já funcionou a rádio Ouro Verde e era muito comum os artistas virem até o bar." Entre eles, Moacir Franco, Inezita Barroso, Tião Carreiro e Milionário e José Rico. "Também vi o Ulisses Guimarães quando veio a um comício na Concha Acústica." Ele destacou que o auge do Centro Comercial estava na Sorveteria Roma. "Ela atraía muita gente, mas no início dos anos 1980 fechou."
A professora de arquitetura Erika Dmitruk afirmou que o Centro Comercial foi projetado por Américo Sato e também teve um desenho inspirado na arquitetura Modernista. O prédio foi construído no final dos anos 1960 pela construtora Veronese. (V.O.)





