Londrina – Com o fim das férias de inverno, o calendário escolar caminha para a etapa final. Para aqueles que não tiveram um bom desempenho do primeiro semestre, ainda há tempo para recuperar o tempo perdido.
A psicóloga Cibely Pacifico, de Londrina, alerta que o primeiro passo é identificar o problema. Segundo ela, isto exige colaboração dos pais, no monitoramento da rotina de estudos.
A atendente de restaurante Adriane de Almeida, de 37 anos, contou que a filha Vitória, de 10 anos, vive um momento de baixo desempenho na escola. Adriane acredita que a separação possa ter influência. "Ela mora com o pai, mas passa bastante tempo comigo. Sempre que posso aconselho ela a pegar firme nos estudos e a não desanimar, pois perder todo o ano de estudo é difícil", contou. "A gente tem conversado bastante com ela, dado conselho. Acredito que ela vá superar esta fase."
A psicóloga recomenda que os pais invistam para evitar o exame ou mesmo a reprovação porque isso pode gerar a sensação de incapacidade e de fracasso na criança, e prejudicar seu desenvolvimento pessoal. Muitas vezes, alerta Cibely, os sinais são recorrentes e começam no início do ano escolar. Neste caso, é recomendado que a criança ou adolescente passe por uma avaliação neuropsicológica. "É preciso prestar atenção aos sinais e monitorar a vida escolar do filho", frisa a profissional do Instituto de Psicoterapia e Análise do Comportamento (PsicC).
De acordo com a psicóloga, um erro comum são as cobranças excessivas. "A pressão demasiada pode comprometer ainda mais o desempenho escolar da criança ou do adolescente, gerar altos níveis de ansiedade e interferir no processo de atenção e memorização do aluno", explicou. "Os pais precisam ficar atentos às notas e ao comportamento dos filhos. E também avaliar se a criança apresenta dificuldade em todas as disciplinas ou só em algumas", observa.
Jaqueline do Pilar Fernandes e Reginaldo Profeta têm dois filhos: João Paulo, de 10, e Érica, de 6. Enquanto o garoto estuda o 5º ano em período integral, a irmã está no 1º ano e passa as manhãs em casa com o pai. É nessa hora que Reginaldo aproveita para ajudar a filha. "Sempre ajudo tirando dúvidas, olhando se as tarefas estão todas em dia", contou. Já os cadernos de João Paulo passam pelo olhar cuidado de Jaqueline no final da tarde. "Ele nunca me deu trabalho, mas faço questão de sempre acompanhar", disse ela.

ORGANIZAÇÃO
Cibely aponta que muitas vezes é só uma questão de organizar os estudos. E cita a necessidade de a criança desenvolver o hábito de estudar, inclusive com horários pré-definidos. É preciso um local na casa apropriado para os estudos, com boa luminosidade, sem barulho e de preferência sem muitos estímulos concorrentes, como televisão e celular.
Os pais, por sua vez, precisam monitorar qual é a tarefa e se ela foi feita. A psicóloga alerta que essa rotina de estudos deve começar desde pequenininho porque isso também ajudar a definir a ideia de responsabilidade, mas que é possível sim reorganizar o cotidiano de uma criança que está com dificuldade na escola.
Compensação ou castigo sobre o resultado das notas devem ser evitados, na opinião da profissional, porque isso pode contribuir para que a criança apresente ansiedade com o desempenho e afetar o seu comportamento na prova. Isso não significa que os pais não devam valorizar as boas notas. Mas devem valorizar principalmente o processo de estudar.
"Depois de terminar a tarefa, de estudar, os pais podem fazer elogios ao esforço da criança e até mesmo incentivar que ela realize uma atividade que goste, como andar de bicicleta ou jogar bola", sugere Cibely. Os pais ainda podem participar deste momento com os filhos e levá-los para um passeio, tomar um lanche ou visitar um amiguinho ou um parente.

Imagem ilustrativa da imagem Tempo de focar nos estudos



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