André Amorim
Equipe da Folha

Curitiba - Os professores de teoria política ensinam: candidatos a cargos majoritários (prefeitos, governadores e presidente) devem tentar conquistar todo tipo de eleitorado. Já para aqueles que concorrem a um mandato de vereador ou deputado, a melhor estratégia é definir bem qual fatia do público pretendem atingir e concentrar seus esforços para garantir esses votos.
A lição faz sentido. Em Curitiba, por exemplo, caso os candidatos à prefeitura se declarassem representantes de apenas este ou aquele segmento social (os bombeiros, os professores, os idosos), não conquistariam votos suficientes para decidir uma eleição. Já os que concorrem ao cargo de vereador não têm outra saída senão criar a identificação como representantes de algum setor bem definido da sociedade e ali concentrar suas campanhas.
É o caso das candidaturas que têm como mote uma profissão, como a de Miranda o carteiro (PT do B), Fátima cabeleireira (PSL) ou Benedito, o cobrador (PV). É provável que todos eles pretendam concentrar seus esforços no mesmo segmento profissional no qual se incluem. O público que vota no João verdureiro (PRB) não é o mesmo que vota no João gari (PMN).
Alguns apostam tanto nessa estratégia que colocam a profissão na frente do próprio nome, como é o caso do Soldado Carlos Lima (PPS) e dos cantores -Cantora Mara Lima (PSDB), Cantora Lucimara (PSL), Cantor Neir Menezes (PRB). O problema é que eles nem sempre são únicos os representantes de cada profissão. Aqueles que se apresentam na urna com a alcunha de ‘’professor’’, por exemplo, somam 46 candidaturas. Os ‘’doutores (as)’’ são 20 e ‘’pastores’’, sete.
A candidata professora Janete Kovalski (PPS) não se preocupa com o número de colegas concorrendo. ‘’Todo mundo tem seu lugar ao sol’’, avalia. Apesar de ter como mote de campanha a educação, ela tem também seu local específico de atuação, o bairro Jardim das Américas, onde pretende conquistar votos fora do círculo educacional. Assim também pensa outra candidata que concorre pela mesma legenda, a professora Alessandra, que pretende concentrar sua campanha no bairro Vila Oficinas. Ela acha que sua estratégia é mais interessante do que a dos outros candidatos professores. ‘’Eles estão correndo atrás das escolas’’, acredita.

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