Tempo de alegria
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de dezembro de 2001
Estélio Feldman 
Esta é uma época curiosa. Natal e ano-novo são propícios a manifestações de alegria e esperança. Entretanto, muita gente se deprime neste período. Não poucos reclamam que ''o Natal se tornou apenas uma celebração comercial'' e que ''o ano-novo nada mais é do que uma convenção humana'', lembrando até que isto só vigora no Ocidente, que países (e religiões) do Oriente marcam o ano de modo diverso.
A verdade, porém, é que as convenções são importantes, são marcos, e não se limitam ao ano-novo, mas constituem elementos valiosos para a vida. Há o aniversário de cada um, as datas festivas da família, do país, da religião ou do mundo. Vale a pena marcá-los, vivenciar tais eventos.
O mais importante, porém, não é nem isto. A grande questão que deveria servir para animar cada ser humano é o simples fato de estar vivo. Pois a vida é a grande dádiva para cada um de nós. E não importa muito se a pessoa está bem de saúde, se tem um bom emprego ou meio de vida, se tudo lhe sorri ou se, ao contrário, enfrenta dores, doenças, dificuldades financeiras ou emocionais, problemas de todo o tipo. Em qualquer caso, isto é vida, é o dom de Deus, o presente único a ser aproveitado.
O escritor Richard Bach, em seu livro ''Ilusões'', dá uma lição simples em uma frase, escrevendo: ''Eis um teste para saber se sua missão aqui na Terra terminou: se você está vivo, não''. Não é necessário explicar, mas vale a pena perceber o sentido: estar vivo indica que temos alguma coisa a fazer neste mundo. E aproveitar intensamente a vida é o fundamental.
Isto implica em vivenciar os momentos, as convenções, o Natal, o ano-novo. Significa que devemos, como missão por estar vivos, distribuir alegria de viver entre os demais. Sorrir para os outros, dizer ''Feliz Ano-Novo'' não só para os amigos, parentes, entes queridos, mas para o ancião que passa por nós, para a jovem bonita que se vê parada diante de uma vitrine, para a criança que pula e corre, isto espalha alegria. E acaba nos alegrando, também.
Vamos repetir, como escrevo agora, ''Feliz Ano-Novo'' para todos quantos atravessam nosso caminho, sentindo isto e percebendo o poder imenso das palavras que alegram os demais e representam, assim, um farol a iluminar os que nos cercam.
Nesta última Praça do ano, Feliz Ano-Novo para todos vocês e que a gente se reencontre em 2002 a fim de retomar a trajetória e usar o dom da vida que recebemos com o entusiasmo que se deve dar às grandes empreitadas que nos esperam ao longo dos tempos que temos por aqui.


