Rolândia – A forte chuva e o vento que atingiram o Norte do Paraná na noite de terça-feira (28) provocou estragos em vários municípios, mas o mais atingido da Região Metropolitana de Londrina foi Rolândia. Segundo a assessoria de imprensa da Copel, 13 mil unidades ficaram sem luz a partir das 23 horas. Somente na avenida Jorge Luiz Sacca, no jardim Catuaí, oito postes foram ao chão com a força dos ventos.

Grande parte dos moradores teve o fornecimento de energia elétrica restabelecido somente no início da tarde desta quarta. Porém, várias casas ainda estavam sem luz no final da tarde, mesmo com as equipes da Copel trabalhando para instalar outros postes e consertar o cabeamento danificado. O bairro fica nas proximidades do rio Bandeirantes do Norte, onde em 2016 o motorista Odair José Martins desapareceu durante uma enchente, quando tentava atravessar a ponte perto da estação de captação da Sanepar.

O ferramenteiro Vagner José Messiano reside na avenida Jorge Luiz Sacca e tinha acabado de chegar em casa quando começou a tempestade. “Assim que guardei o carro começou o vento forte. Acabou a luz e a minha esposa e meu filho estavam dentro de casa apavorados; foi tudo muito rápido. Começou com um vento forte e a gente escutou barulhos como se as pedras estivessem batendo na parede. O barulho da chuva estava tão forte que nem escutamos os postes caírem. A gente só percebeu o estrago quando a chuva parou e fomos ver o que tinha acontecido”, relata. “Os cabos de energia caíram em cima da cerca elétrica. Minha casa destelhou um pouco e a água entrou. Graças a Deus só foram danos materiais”, afirma.

Na mesma avenida, a professora Vanessa dos Anjos Straiotto conta um relato semelhante. “Teve esses trovões bem fortes. Foi uma coisa bem assustadora e logo após teve o apagão. A gente não tinha noção de como tinha ficado a rua. Foi um susto grande e foi muito rápido. Escutei um barulho forte, mas não imaginava que tinham sido os postes. Foi feio”, resume.

Um bar localizado nas proximidades de um dos maiores postos de combustíveis de Rolândia teve toda a cobertura carregada pelos ventos. Andréa Reverso Ferreira, proprietária do bar, relata que durante a chuva começaram a cair granizo e subitamente um vento muito forte atingiu a cobertura. “Em cinco minutos o vento carregou toda a estrutura. Eu estava com meu marido e mais três clientes. Eles se esconderam debaixo da mesa. A gente só se apegou a Deus e deixou acontecer. Quando fomos ver, a cobertura já não estava aqui. O vento carregou inclusive a estrutura metálica que sustentava as telhas”, detalha.

A 15 metros do bar estavam caídas as 20 telhas metálicas, que estavam todas retorcidas. “Nunca passei tanto medo na minha vida. A gente não conseguia enxergar nada, porque estava sem energia elétrica. Só enxergávamos um pouco quando os relâmpagos iluminavam o local. Mas foi terrível. Parecia o fim do mundo”, declara Ferreira. “Os cabos de energia elétrica tinham caído próximos das telhas metálicas. Dava medo de mexer, porque eles podiam estar energizados”, acrescenta.

ÁRVORES E CASAS

Segundo a Defesa Civil do município, a chuva de terça-feira foi de 55 milímetros e foi acompanhada por rajadas de vento de 20 km/h. Dezenas de árvores tombaram, principalmente na estrada do Vanzela, no jardim Nobre, no jardim do Café e no jardim Catuaí. O vento destelhou parcialmente dezenas de casas, mas nada a ponto de desabrigar os moradores. Alguns barracões também foram destelhados parcialmente.

O secretário de Infraestrutura de Rolândia, Marcos Santucci, informa que prédios públicos, como escolas, creches e unidade de saúde, não foram afetadas. “Os estragos em que a nossa pasta terá que intervir são as árvores que caíram. Começamos a remoção nesta quarta-feira e devemos trabalhar no mínimo até o fim de semana”, informa. Até o fim da tarde apenas a rua Mundo Novo, no jardim do Café, estava com o trânsito totalmente impedido pela árvore que caiu no local. “Teve vários outros locais com árvores caídas, mas a interrupção do fluxo de veículos é parcial.”

(Atualizada às 18h)

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