Curitiba - Uma tempestade que durou pouco mais de uma hora causou destruição e uma morte em Paranavaí, na região noroeste do Estado, no último sábado. As galerias pluviais da cidade não suportaram a grande quantidade de água e transbordaram. O resultado foi muitas casas alagadas, ruas e uma ponte destruídas. Um dos locais mais atingidos foi o estádio de futebol da cidade, que possui dependências abaixo do nível da rua. Um menino de 11 anos foi levado pela correnteza e morreu. Hoje membros da Defesa Civil estadual devem ir até o município para fazer uma avaliação mais precisa dos estragos. Não há registro de desabrigados.
A chuva que caiu em Paranavaí começou por volta do meio-dia e durou até cerca de 13h20. De acordo com o registro da estação que o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), entre meio-dia e duas horas da tarde a chuva atingiu 71 milímetros. Esse volume é bastante grande já que, segundo o Simepar, a previsão de chuva para a cidade durante todo o mês de janeiro era de 189 milímetros. O tenente do Corpo de Bombeiros local, Jardel Pereira dos Santos, contou que a força da água fez com que o asfalto de várias ruas fosse arrancado, e uma ponte, que liga dois bairros, levada pela água.
Segundo o tenente Jardel, o Corpo de Bombeiros teve que fazer o resgate de algumas pessoas que ficaram presas e ilhadas dentro de veículos. Muitas casas foram alagadas, mas ainda não foi possível fazer um lavantamento do que foi perdido. A água só baixou e as pessoas conseguiram retornar para suas casas para começar a limpeza cerca de três horas depois do fim da chuva. O estádio de futebol teve toda a sua área administrativa inundada e bastante destruída. O campo também ficou cheio de água e rachaduras que já existiam nas arquibancadas aumentaram. Carros que estavam no estacionamento do estádio foram arrastados.
O caso mais grave foi a morte do estudante Alexandre do Nascimento Ramos, 11 anos. Segundo informações repassadas por testemunhas ao Corpo de Bombeiros, o menino estava sozinho em casa e foi até a rua ver o que estava acontecendo. ''Parece que ele colocou o pé em uma galeria de água e foi sugado pela força da correnteza. Logo que ele caiu já bateu a cabeça e deve ter desmaiado. Ele foi levado pela água por cerca de dois quilômetros em direção a um córrego que transbordou três metros'', afirmou o tenente Jardel. O corpo de Alexandre foi encontrado embaixo de muito lixo e madeira e com diversas fraturas.
A meteorologista do Simepar, Sheila Paz, explicou que a quantidade de chuva que caiu em tão pouco tempo em Paranavaí é bem acima do normal e que é muito difícil uma cidade conseguir suportar uma precipitação como essa. ''O que aconteceu lá foi uma daquelas pancadas de verão, que são muito isoladas. Aconteceu em função das altas temperaturas que estão sendo registradas nesta região do Estado e de um fluxo de umidade que veio do centro do País'', afirmou. Ontem choveu em boa parte do Estado, porém não há previsão de novas tempestades na região.

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