O alho chegou à Europa por volta de 1360, na bagagem de especiarias chinesas trazidas por Marco Polo. Fez o maior sucesso e se tornou imediatamente o tempero principal da culinária européia. Suas propriedades medicinais, principalmente no combate aos vermes, já eram conhecidas e utilizadas pelos chineses. Em Roma, o alho chegou a ser símbolo da atividade militar.
O odor peculiar acabou provocando ‘‘desconfortos’’ na corte espanhola. Cansado do hálito pesado de seus súditos, o rei Afonso de Castelo (1368) chegou a suspender por um mês as audiências, atendendo apenas quem não tivesse consumido o tempero.
No Brasil, o alho de cabeça foi introduzido pelos portugueses, amantes incondicionais do produto.
O engenheiro agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), especialista em ervas medicinais Paulo Guilherme Ribeiro, conta que ‘‘quanto mais forte’’ o alho, melhor sua eficácia terapêutica. Os princípios ativos que dão ao alho ação antiviral, vermífuga e de combate ao colesterol estão na alicina, substância que dá o conhecido sabor ‘‘ardido e forte’’.
A idéia de que o alho evita a gripe, no entanto, é equivocada. Paulo Guilherme lembra que o vírus da gripe apresenta uma mutação rápida, tornando inevitável a sua instalação no organismo. ‘‘Não é exagero dizer que a mesma pessoa nunca pega o mesmo vírus de resfriado; porque a cada gripe o indivíduo se torna imune ao vírus específico que o infectou. Cada resfriado é provocado por um vírus diferente.’’ A alicina, diz o pesquisador, acelera sensivelmente o processo de cura da gripe, mas não evita que a pessoa se contamine com o vírus.
Da família das lileáceas, o alho pode ser encontrado em várias formas, todas elas aproveitáveis na culinária, como tempero. Existe o alho japonês, onde a propriedade terapêutica está nas folhas que contêm os mesmos níveis de alicina e o mesmo sabor encontrado no alho de cabeça, mais conhecido e utilizado pelos brasileiros. E há também o alho de talo, em que o sabor se concentra na parte do talo.

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