Temperatura surpreende em Cascavel
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quinta-feira, 13 de julho de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Toda a região Oeste do Paraná foi atingida ontem pelas geadas mais fortes das últimas décadas. Nas cidades, jardins e hortas caseiras ficaram destruídos. Medição feita por moradores indicou que os termômetros chegaram a registrar 4 graus negativos às 3h30, em alguns pontos de Cascavel. Anteontem nevou na cidade, mas o fenômeno foi de baixa intensidade e nem chegou a se acumular no chão. O último registro de neve era de 1977.
Pela aferição do Simepar, a temperatura mínima foi de 3 graus negativos. As geadas se formaram de forma intensa porque havia alta umidade do ar. Moradores antigos de Cascavel relataram nunca terem visto geadas tão fortes. Só quando eu era muito pequeno vi coisa parecida, disse o fotógrafo profissional Neri Cardoso, 42 anos, nascido na cidade. Neri aproveitou para fazer fotos para cartões-postais, uma de suas especialidades, registrando imagens no Lago do Parque Ecológico.
Muitas pessoas levaram máquinas para fotografar familiares no parque. Às 10 horas, o gelo no chão ainda não havia se desfeito, apesar do sol. Jardins em logradouros públicos e residências foram altamente afetados. A Copel informou que 12 cabos da rede de baixa tensão se romperam na madrugada, deixando 500 consumidores sem energia. Em Catanduvas, Guaíra, Foz do Iguaçu e Nova Santa Rosa, rompeu-se um cabo em cada cidade. O rompimento ocorre quando os cabos de alumínio permanecem longo período expostos à baixa temperatura.
Em Assis Chateaubriand (72 quilômetros a oeste de Cascavel), a Polícia investiga a possibilidade de que Joice Alves, de quatro meses, tenha morrido asfixiada sob o cobertor, pois havia dormido com a mãe, Angélica Alves, 26 anos. No Abrigo São Vicente de Paulo, o único de Cascavel, havia 44 pessoas abrigadas.
A coordenadora do Serviço de Obras Sociais (SOS), Dezilma Gonzaga, disse que o órgão praticamente não recebeu doações de cobertores e roupas de frio cerca de quatro mil famílias dependem deste tipo de auxílio, mas, segundo Dezilma Gonzaga, quem doou alguma coisa parece ter procurado se desfazer apenas de roupas velhas de verão.
Além de enfrentar a pressão de torcedores e da imprensa, o técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxembugo, também sofre com o intenso frio, média de 4 graus, que atinge a cidade de Foz do Iguaçu. Durante os treinamentos no Estádio ABC ele pode ser visto muito bem agasalhado, com luvas e gorro. Para espantar o frio, a pequena torcida já trocou a tradicional cerveja pelo quentão. (Colaborou Foz do Iguaçu)


